Lançada graphic novel criada no Rio Grande do Norte


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Hoje é um dia especial para os quadrinhos potiguares: a primeira graphic novel inteiramente criada no Rio Grande do Norte dará o ar da graça neste sábado, logo mais às 18h, na Livraria Nobel Salgado Filho. Apostando no horror histórico, o roteirista Marcos Guerra e o quadrinista Leander Moura apresentam a versão completa da saga do fazendeiro natalense Hugo Ribeiro, o último dos Cavaleiros Templários, ambientada na província dos Reis Magos no início do século 19. “O Evangelho Segundo o Sangue” (K-Ótica, 184 páginas, R$ 40) sai com apenas 300 exemplares e todos os requisitos básicos de uma novela gráfica: editada em formato livro, a história de 13 capítulos mistura ficção e realidade em um enredo que evoca práticas do ocultismo e forças sobrenaturais.

Apresentada em capítulos durante o ano de 2013, novela gráfica em quadrinhos que conta a saga de Hugo Ribeiro, ganha edição completa. Marcos Guerra e Leander Moura assinam o trabalho e autografam hoje, na Livraria NobelApresentada em capítulos durante o ano de 2013, novela gráfica em quadrinhos que conta a saga de Hugo Ribeiro, ganha edição completa. Marcos Guerra e Leander Moura assinam o trabalho e autografam hoje, na Livraria Nobel

“Tratando de diversas licenças poéticas e citações artísticas, o encadernado visita fantasmas de portugueses aprisionados no Forte dos Reis Magos, espíritos indígenas no mangue, missas de mortos na Igreja de Nossa Senhora da Apresentação, e nos conduz a uma via crúcis de um pai de família, enlouquecido pela traição conjugal, a penetrar o seio místico de uma Noiva do Sol tomada pelo mistério em quadrinhos: terá Elena dormido com o Diabo, ou é tudo um delírio?”, adianta a sinopse d’O Evangelho, publicação viabilizada de forma independente pela dupla Guerra-Moura e o editor executivo Renato Medeiros.

Após o lançamento em Natal, a graphic novel papa-jerimum será apresentada dia 25 na Gibiteca, em Fortaleza. Interessados podem garantir exemplares na própria Nobel Salgado Filho, na Superbanca do Via Direta e/ou fazer pedidos pela internet na página da K-Ótica (facebook.com/koticaweb).

“Começamos a publicar os primeiros capítulos em 2009, online na Revista 14, e tivemos uma ótima aceitação tanto no RN quanto fora do Estado. Desde então estamos na expectativa para uma edição impressa”, disse Leander Moura. O quadrinista lembra que os seis primeiros capítulos (ou 60 páginas) chegaram a sair em dois volumes. “São 124 páginas inéditas”, reforça Marcos Guerra.

De visual soturno e trama intrincada, “O Evangelho Segundo o Sangue” transborda referências: é possível identificar influências dos quadrinistas John Buscema (1927-2002) e Frank Frazetta (1928-2010), do pintor renascentista Caravaggio (1571-1610), e de ilustradores como o francês Gustave Doré (1832-1883), responsável pelos desenhos da versão mais famosa do clássico “A Divina Comédia”, do italiano Dante Alighieri (1265-1321). “E mais todos os mestres dos clássicos de horror, da revista Creep. Toda esse repertório visual serviu para criar um traço específico, com forte contraste tonal que vem do expressionismo alemão”, explica Moura.

Com censura indicativa de 16 anos, Guerra informa que a cena mais pesada, é a que mostra o protagonista fazendo contato com fantasmas portugueses no Forte dos Reis Magos: “Em troca de um diálogo, o protagonista oferece cuscuz e tapioca que se transformam em línguas humanas. Os espíritos explicam para ele que, por terem matados os índios, precisam comer as línguas que os amaldiçoaram em palavras amargas por toda a eternidade. Uma sequência meio de canibalismo”.

Para Marcos Guerra, há uma constante tensão pela busca da verdade. “O personagem está absolutamente ferido pelo que ouviu da companheira, e nessa procura dele preencher a lacuna desse final infeliz do casamento, suas culpas como marido, ser humano e potiguar vão se refletindo no decorrer da história. Há uma busca pela purificação espiritual e histórica dele, enquanto descendente dos portugueses que dizimaram e foram amaldiçoados pelos índios”.

O ponto de partida para a formatação do conteúdo surgiu de pesquisa de cunho teórico. “Visitamos locações e criamos uma atmosfera específica para contar o quadrinho”, destacou Leander Moura.

Como diferenciar os gibis tradicionais de uma graphic novel?
Os gibis se propõem a uma periodicidade em que seus capítulos chegam aos leitores por partes, como em longas aventuras que raras vezes chegam ao fim. Já nas novelas gráficas a história é única, alcança desenvolvimento e fim em uma edição em formato de livro.

Quanto ao roteiro, qual o enredo principal?
O personagem principal é Hugo Ribeiro, um fazendeiro abastado da cidade na época lançado a um terrível mistério associado à confissão definitiva da esposa no leito de morte. Naquele tempo era impensável uma pessoa partir sem se confessar a um padre. No entanto ela se recusa a fazer essa confissão sagrada, mas confessa ao marido que o teria traído com o próprio diabo. Desesperado, Hugo sai em busca para descobrir qual parte disso é ilusão qual parte disso é verdade entrando em contato com fantasmas, mistérios e espíritos indígenas afim de descobrir se ele pode, ou não, salvar a alma da esposa.

TRIBUNA DO NORTE

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