Lacy Nogueira

A COLUNA DE FRANCELINO SOARES

LACY, EM PLENO PALCO, AO LADO DE JUDIVAN, MARCELO, SOLIDÔNIO E JARISMAR, NA ENCENAÇÃO DE “O AUTO DA COMPADECIDA”, DE ARIANO SUASSUNA.

Poucos talvez a conheçam ou a tivessem conhecido pelo extenso nome de Maria Lacy Nogueira Alves da Silva. Mas, certamente, dentre os que com ela conviveram e ainda estão entre nós, todos têm o seu “nome de guerra” – Lacy Nogueira – como o que hoje se chamaria uma promoter artística, cultural e até literária, pois poetisa ela também era. Seria, no bom sentido, o que hoje se chama de “agitadora”, mas só que sob o aspecto cultural. Ela era engajada em tudo o que se respirava nesse ambiente. Não sem razão, ousamos colocá-la no mesmo nível de nossa patronesse maior do teatro, a incansável Íracles Brocos Pires, a dona Ica. Tanto é que, hoje, elas estão se ombreando tanto como Patronesses de nossa Academia Cajazeirense de Artes e Letras (Cadeiras 22 e 30, respectivamente), como figuram, “lado a lado” no subconsciente temporal, ocasional, circunstancial e coletivo, ou seja, enquanto a primeira é a detentora onomástica do Teatro ICA, a outra circunda o teatro na praça anexa, em homenagens tributadas às duas, num merecido reconhecimento do poder público ao que ambas fizeram pela nossa cultura, não somente citadina, mas também regional. Elas fizeram história, sobretudo, no rádio e nas cenas teatrais.

Lacy era natural de Cajazeiras, onde nasceu em 1938, filha do casal Cirilo Pedro da Silva e Silvana Nogueira da Silva. Depois de haver militado no cotidiano radiofônico e nas cenas teatrais, trabalhando ao lado de Íracles, tanto no rádio como no teatro, o casamento, em 1970, com Sebastião Alves da Silva (*1943 / † 2008), também cajazeirense, militar do Exército Brasileiro, afastou-a para bem distante de sua amada cidadã-mãe, passando a residir, por força das atividades do esposo, na distante Bajé, no Rio Grande do Sul, cidade fronteiriça do Brasil com o Uruguai. Conta a lenda que lá, bem distante de sua gente, do seu povo, do seu habitat natural e dos seus hábitos adquiridos, ela costumava simular, nos quintais de sua casa, peças teatrais, talvez para não perder o liame com as suas atividades que lhe eram tão caras.

Mas, o tempo, mestre imensurável de todos nós, passou rápido, trazendo-a de volta a Cajazeiras, no ano de 1991, quando Sebastião entrou para a reserva. Retoma, assim, a sua velha paixão: entrega-se de corpo e alma ao teatro, talvez numa “busca do tempo perdido”, como este foi tão bem colocado por Marcel Proust.

Daí até os fins dos seus dias, já com as filhas Tathiana e Juçara, volta a perambular pelas ruas em busca de patrocínio, para levar suas peças ao novo público, inclusive de outras praças. Tanto é que, vamos encontrá-la no Teatro Santa Rosa, em João Pessoa, recebendo o prêmio, como melhor atriz, na peça de Luiz Marinho, “A Incelença”. Muitas cidades interioranas tiveram a felicidade de vê-la nesse espetáculo.

Desta fase, Lacy participou, entre outras, das seguintes encenações, fosse como atriz, fosse como diretora: “Beiço de Estrada”, de Eliézer Filho; “Pluft, o Fantasminha”, de Maria Clara Machado; “A Afilhada de Nossa Senhora da Conceição”, e a já citada ”A Incelença”, ambas de Luiz Marinho.

Como reza o Convite de Missa de Sétimo Dia do desenlace de Lacy, e em pensamento de Santo Agostinho, “A morte não é nada”.

Nos dizeres de sua filha professora Tathiana, “Ela nos deu o seu primeiro sorriso em 16 de setembro de 1938 e arrancou-nos uma lágrima em 18 de maio de 2011”.

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