Jeová Campos reproduz na ALPB pronunciamento de deputada portuguesa que denunciou golpe em curso no Brasil


A deputada Joana Rodrigues durante seu pronunciamento no parlamento português

“Essa fala da deputada Joana Rodrigues, proferida na semana posterior a aprovação do pedido de impeachment na Câmara dos Deputados, fez ecoar internacionalmente os fatos recentes no Brasil que configuram o golpe que a oposição quer dar para tomar o poder no nosso país. Achei oportuno e muito realista esse pronunciamento, pois ele reforça o que eu venho denunciando desta tribuna sobre o momento e o processo político em curso no Brasil”, disse na manhã desta quarta-feira (27), o deputado estadual Jeová Campos. O parlamentar reproduziu o áudio da deputada que denuncia que não há fato jurídico que justifique o processo de impedimento da presidente Dilma Rousseff, durante o pequeno expediente na ALPB.

Joana Rodrigues iniciou seu discurso afirmando que ‘por algum valor conservador, que não tem nada a ver com as pedaladas fiscais, a presidente do Brasil está sendo cassada num degradante espetáculo’, afirmou a parlamentar. Ela denunciou  que o que está acontecendo no Brasil ‘é um golpe contra um governo eleito democraticamente’. Ela também lembrou que os deputados que votaram SIM, em sua imensa maioria, votaram em favor de ‘netos, filhos, esposa, a favor da ditadura, sobrinhos, tios, corretores de seguro, pelo petróleo, e até pelos ditadores e a ditadura de 64. ‘Entre Deus e o mundo tudo foi razão de votar pela cassação do mandato da presidente Dilma, menos o tal crime de responsabilidade que seria a única justificativa legal para o impeachment’, afirmou a deputada.

Ela lembrou ainda que durante toda a votação na Câmara dos Deputados, os fundamentos legais do impeachment foram esquecidos pelos deputados brasileiros e até para quem organizou a votação e o golpe. A deputada também defendeu que todos os corruptos, sejam brasileiros ou portugueses, devem ser punidos. ‘No Brasil, como em Portugal, a corrupção deve ser combatida e os corruptos devem ser sujeitos à justiça sem complacência’. Joana lembrou ainda que 60% dos deputados que votaram a favor do impeachment estão respondendo processos na Justiça e que a compra de votos, o financiamento privado de campanha, a troca de favores e a corrupção do poder político no Brasil precisam ser combatidos. Na opinião da deputada, o PT falhou em não fazer a reforma política e a democratização do processo que o partido prometeu fazer e não o fez.

A deputada portuguesa disse que ‘o argumento da transparência não tem credibilidade na boca dos corruptos e dos organizadores do golpe’ citando os nomes de Michel Temer, que é suspeito na investigação da operação Lava Jato, e Eduardo Cunha, que mentiu na Comissão Parlamentar de Inquérito sobre contas no exterior e que é réu na operação Lava Jato. Encerrando seu discurso, Joana Rodrigues comentou que ‘o impeachment não resolverá o problema da corrupção do Brasil’ e denunciou que não há motivos legais que levem ao impedimento da presidente Dilma e que isso acontecer será a vitória da corrupção. ‘Quando se forjam os argumentos, quando as causas são falsas, quando o motivo do impedimento é político e não judicial, isso se configura um golpe’ finalizou a deputada.

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