Ivan Bichara e a Academia Cajazeirense de Artes e Letras

A COLUNA DE FRANCISCO SALES CARTAXO ROLIM

Instala-se hoje, no Cajazeiras Tênis Clube, a Academia Cajazeirense de Artes e Letras, depois de intensa preparação conduzida por intelectuais de várias formações. A festa solene é o final de longa caminhada, que nasceu lá atrás, graças a iniciativas, lamentavelmente, não coroadas de êxito. Os passos dados, porém, funcionaram como etapas para sua constituição legal, com personalidade jurídica e um quadro de Patronos composto de figuras do passado, transformadas em titulares das 40 cadeiras da Academia.

Hoje, 24 de maio, é a data de aniversário de nascimento de Ivan Bichara Sobreira, que completaria 101 anos de idade. Teria sido proposital? Não, não foi. Foi coincidência. Narro como se deu a decisão de fixar essa data para a posse dos membros-fundadores da ACAL. Primeiro, definimos que a posse seria realizada no final de maio ou início de junho. Por quê? Para que candidatos a uma das 40 cadeiras tivessem tempo de preparar os perfis biográficos do Patronos, uma vez que 22 de abril fora o prazo determinado para entrega dos estudos. Em segundo lugar, a instalação deveria ocorrer numa sexta-feira, dia adequado para facilitar a vinda a Cajazeiras de acadêmicos e familiares. Por essas razões, o dia 24 de maio foi o escolhido.

Só depois de três semanas, o secretário municipal de cultura e vice-presidente da ACAL, Ubiratan de Assis, chamou nossa atenção para a coincidência de datas. Com a mais absoluta franqueza divulgo estas informações de bastidores, sem outra intenção que não a de revelar a verdade. Isto não diminui nem aumenta a importância do titular da Cadeira Nº 23, Ivan Bichara Sobreira, cujo primeiro ocupante é seu neto, Guilherme Sargentelli.

O nome de Ivan Bichara figura como Patrono da ACAL graças a sua atuação como político, jornalista, escritor. No exercício dessas atividades, Ivan merece louvores. Sua conduta ética, seja como deputado estadual ou federal, seja na qualidade de governador, é inatacável. Cajazeiras orgulha-se de seu filho, muito embora ele não tenha o reconhecimento à altura dos serviços prestados e da projeção nacional que deu a sua terra. E o que é pior, várias realizações de seu governo, na região polarizada por Cajazeiras, são creditadas a outros governantes paraibanos. Chega a ser bizarro…

Do desempenho de Ivan Bichara na Câmara Federal quase ninguém se lembra, ele que foi o segundo cajazeirense no Congresso Nacional. O primeiro foi o também Patrono da ACAL, advogado Antônio Joaquim do Couto Cartaxo, eleito 64 anos antes de Ivan! A propósito, Couto Cartaxo, este nem se fala, anda esquecido até mesmo de seus parentes, salvo raras exceções. A Academia vai tirá-los dos papeis velhos do passado e mostrar a contribuição e a projeção que deram a Cajazeiras.

Ivan Bichara também honrou o nome de Cajazeiras como escritor, não apenas pelos três romances que escreveu, em particular, Carcará, narrativa literária construída a partir de fatos da história de Cajazeiras. Ele produziu ensaios literários de qualidade e integrou, com méritos, a Academia Paraibana de Letras.

A escolha da data de aniversário de nascimento de Ivan não foi proposital. Mas se tivesse sido seria honroso. Seria mais uma homenagem justa de Cajazeiras a um cidadão correto, sério, de conduta pública irretocável.

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