Internautas usam Facebook para contar a história de Pernambuco através de fotos


PE-RECIFE-ANTIGA

Conversar com amigos, fazer novas amizades, pesquisas e compras. Democrática e sem limites, a internet vem a cada ano ganhando novos sentidos. No ritmo destas mudanças, a rede abre espaço para verdadeiros acervos que surgem da iniciativa individual e de grupos que usam a web como ferramenta de compartilhamento de fotos  e recordações que ajudam a contar a história de Pernambuco.

Foi o com o intuito de preservar a memória coletiva ao mesmo tempo em que a disseminava que o estudante Marcelo Queiroga, 25 anos, criou a página Pernambuco Arcaico no Facebook, em outubro de 2012. “Eu estudava na UFPE e tinha uma disciplina que abordava a preservação da memória de várias formas, através da fotografia, dos monumentos e da conservação deste tipo de informação. O curso tinha a ver com modernidade e tecnologia e foi quando resolvi fazer a página, sempre com a ideia de compartilhar informação, passar a diante ao mesmo tempo que estamos preservando”, conta Marcelo, administrador da página que hoje tem mais de 21 mil seguidores.

Para Marcelo, a construção do espaço virtual veio com uma nova percepção sobre as redes sociais, que ganharam um novo sentido para ele. “Eu nunca tinha percebido esse potencial do Facebook, que eu só usava para falar com amigos e conhecer novas pessoas, até que trabalhei como analista de redes sociais e percebi que esse espaço tem poder de disseminação de conhecimento e preservação e resolvi participar disso”, lembra.

Com fotos de acervos públicos, como o da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) e dos próprios seguidores da página, Marcelo encontrou uma forma de contar histórias sobre Pernambuco e desta forma se sente ajudando a preservar a história do estado. “A página é mais uma comunidade e o público tem um engajamento muito bom. Muita gente pede fotos da cidade onde mora, pede que eu faça pesquisas sobre determinada comunidade e acho isso muito interessante, me sinto realmente contribuindo”, comemora. Para dar conta da demanda, o estudante conta, há três meses, com a ajuda de dois voluntários: a auxiliar administrativa Ana Carolina, 25 anos e Antônio Oliveira, 35, que trabalha numa biblioteca comunitária do Recife.

Já para o nutricionista Wilton Carvalho, 41 anos, a internet foi uma nova ferramenta que viabilizou um trabalho que começou muitos anos antes. Cearense, Wilton chegou ao Recife na década de 1980 e se apaixonou pela cidade. Encantado com a beleza de suas ruas e pontes, ele começou, ainda adolescente, a colecionar fotos da cidade e suas histórias. Em 2012 veio a ideia de criar a página Recife de Antigamente e compartilhar fotos e curiosidades dos séculos passados guardadas por mais de 15 anos.

“Comecei a ter um acervo muito grande de fotos e com as redes sociais comecei a me perguntar por que não compartilhá-lo com quem, como eu, também gosta do Recife”, relembra, contando que a página virou um espaço de troca de informações e materiais que hoje conta com mais de 22 mil curtidas no Facebook.

Com mais de 2500 fotos guardadas, Wilton revela que cerca de 5% delas são de Olinda e Jaboatão e que todo o resto é dedicado à cidade que o encantou ainda quando criança. Na internet o nutricionista achou mais do que um espaço para publicar estas fotos, mas uma rede de relacionamento com quem também compartilha com ele o amor pelo Recife. “Quase todo mundo usa as redes sociais e isso ajuda a disseminar a história da cidade. A página virou um canal onde a gente consegue unir quem gosta do mesmo tema e fazer outros projetos.

Administro a página sozinho, mas dela surgiu um grupo que se reúne mensalmente com palestras, passeios e rodas de diálogos”, conta Wilton, explicando que cerca de 60 pessoas participam dos encontros.

DIÁRIO DE PERNAMBUCO

No Comment

Leave a reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *