Idoso se forma arquiteto aos 83 anos


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Emar Rodrigues Chaves se formou recentemente na Iesplan Faculdades Planalto, no curso de Arquitetura e Urbanismo, aos 83 anos. Casado e pai de dois filhos, ele não se cansa e determinou que fará pós graduação na área de Restauração.
Emar Chaves estudou na Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro, em 1954. Durante o período, assistiu palestras com artistas famosos, como Cândido Portinari e Djanira. Após a saída do curso, trabalhou como vitrinista e designer de letreiros e fachadas. Também foi operador de carga pela empresa Varig, mas ao ter um dos seus quadros expostos na Companhia, foi convidado pelo diretor, para trabalhar na agência de publicidade, onde atuou por 10 anos.
Por ter mãos habilidosas, foi orientado a fazer maquetes, como não existia curso e nem orientações nos anos 60, soube da empresa Arqtel, a única no Brasil que fazia maquetes. Emar decidiu ingressar na Arqtel como empregado para aprender e trabalhar com maquetes. Por meio desse trabalho, que durou 8 anos, ele foi selecionado pelo estabelecimento, para ser maquetista oficial do Banco Central.
Os planos mudaram em 1968, sua esposa servidora pública foi chamada para trabalhar em Brasília e ele veio com a família atrás de novas oportunidades. Apenas em 1971, conseguiu emprego na gráfica do Senado por intermediação de amigos influentes e foi contrato pelo presidente do Senado à época, Petrônio Portella.
Em 1972, foi chamado para montar a gráfica do Itamaraty e lá trabalhou por oito anos, até ser solicitado pelo diretor do Banco Central para fazer um teste, em 1980. A aprovação adveio do filho de Portinari, onde o Banco Central, faria uma exposição para homenagear o artista. Após alguns dias, foi convocado para trabalhar como supervisor da gráfica, onde seria subordinado apenas pela diretoria e presidência. No Banco atuou por 9 anos e nesse período fazia maquetes por encomendas, na própria residência.
Entre os anos de 1989 a 2009, Emar abriu um escritório de publicidade e arquitetura, ele cuidava de desenhos e maquetes e tinha parceria com arquitetos de renome. E a partir de 2009 veio o desenho de realizar um sonho antigo, cursar arquitetura. No mesmo ano prestou vestibular e passou, chegando a se formar neste ano.
Ao ser questionado sobre os desafios da graduação, Emar responde de maneira positiva: “O curso trouxe conteúdos que ainda não conhecia, dentre eles, cálculo estrutural. Foi um complemento para o que eu fazia anteriormente”.
Para o futuro, Emar quer ingressar na pós-graduação de Restauração e também abrir um escritório de projetos e maquetes. E ainda quer mais: “Meu objetivo é ser Oscar Niemayer, não quero atuar na parte técnica, eu quero a parte plástica. Tenho sensibilidade para criar que vem do trabalho com a publicidade, onde a criatividade é infinita”.

CAU/DF

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