Quando me propus escrever uma coluna sobre o Dr. Hidelbrando Assis, alguém me falou que era melhor substituir o retratado de hoje, de vez que, em Cajazeiras, havia uma certa restrição ao seu nome.

Ora, vejam, só! Nunca, em nossa terra, por mais que amássemos o seu patrimônio urbanístico, houve alguém que se levantasse contra a destruição de qualquer imóvel antigo, mormente daqueles que se achavam/acham incorporados ao nosso dia a dia.

Exemplos gritantes deste meu argumento são os antigos edifícios de Ação Católica e do Prédio de São Vicente. Onde se ouviu a voz de alguém protestando contra a alteração visual de suas estruturas?!… (Ainda bem que não se mexeu no vetusto prédio do Hotel Oriente!).

A minha iniciativa em homenagear o Dr. Hidelbrando vem do fato de que tenho procurado mostrar aos meus conterrâneos o “lado bom das coisas”, relegando a um segundo plano alguma coisa com a qual alguns não concordem. Assim é que vemos no escolhido qualidades que deveras o credenciam a não ter o seu nome apagado das páginas, sobretudo culturais e administrativas, da terra do Padre Rolim.

É evidente que ainda hoje se comenta o fato de haver sido sob a sua inspiração que se ergueu o Cajazeiras Ténis Clube, em local – dizem ainda hoje – inapropriado, exatamente onde se erguia a tradicional casa dos familiares do Padre Rolim. Mas, vamos convir: tudo foi feito com a aquiescência de uma equipe cujo comando pertencia ao Dr. Hidelbrando.

É evidente que, mesmo com uma construção rústica e que se achava em ruínas, prestes a cair, o local deveria ser preservado. Mas, também era interessante que as intempéries da vida não a estivessem destruindo, para o que teria sido importante a atenção de poderes públicos anteriores, no sentido de mantê-la de pé e devidamente conservada. É exatamente por isso que nós lutamos: que não se deixem destruir outras “joias” urbanísticas de nossa cidade. Mas, até quando?!…

Deixando de lado as querelas ainda remanescentes de um passado recente, devemos louvar o censo administrativo do Dr. Hidelbrando a quem Cajazeiras deve, como ex-prefeito (gestão de fevereiro de 1945 a fevereiro de 1946, durante a interventoria estadual de Severino Montenegro), como teatrólogo e homem de cultura que ele era, a criação do Teatro Amador de Cajazeiras – TAC –, no que foi assessorado por outros ilustres cajazeirenses.

Filho de José Gonçalves de Assis – este era irmão e antigo sócio de Antônio da Costa Assis (Tota Assis), com quem dirigiu a firma Costa & Assis, concessionários da Ford e, posteriormente, já como Costa Assis & Cia., passaram a vender os veículos da Volkswagen. Dr. Hidelbrando exerceu, na referida firma, o cargo de advogado empresarial.

Nasceu em São José de Piranhas e fez os seus primeiros estudos no Instituto São Luís, do saudoso mestre Hidelbrando Leal. Prosseguiu sua aprendizagem, na sequência, no Colégio Cearense Castelo Branco, em Fortaleza; no Ginásio Pernambucano, vindo a formar-se pela tradicional Faculdade de Direito do Recife.

No plano estadual, dirigiu o Setor de Artes da UFPB. Integrou, como advogado, os quadros da antiga Saelpa e foi assessor jurídico da Fundação Cultural da Paraíba, até o ano de 1989.

De seu casamento com Dona Maria das Mercês Leite Assis, deixou dois filhos, Hermano Leite Assis e Mauro Leite Assis.

Faleceu em outubro de 2002, em sua antiga residência, localizada na Rua Joaquim Nabuco, 139 – bairro do Roger.

Ele foi um homem de cultura, amante das artes, e deixou, com Dona Íracles Brocos Pires, uma semente plantada nos rumos da teatrologia e da cinematografia de nossa terra.

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