Galo da Madrugada traz a mistura de povos para as ruas do Recife


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Existe algo mais pernambucano do que se apertar nas ruas do Recife e ainda assim encontrar espaço para pular o frevo? Acrescente a isso o calor de fritar a cabeça de qualquer um. Esse é o Galo da Madrugada, uma reunião de todos os credos, etnias, classes e origens pernambucanas para celebrar o Carnaval. Manifestação do povo e para o povo neste Sábado de Zé Pereira. A festa foi tanta, que nem Ariano Suassuna fez cerimônia para brincar o maior bloco do mundo pela primeira vez no alto dos seus 86 anos. O escritor é o homenageado deste ano do Galo.

Ariano Suassuna foi o homenageado deste ano. Foto: Hélia Scheppa/JC Imagem

Ariano Suassuna foi o homenageado deste ano. Foto: Hélia Scheppa/JC Imagem

Foram seis quilômetros de muito frevo no pé. A cada chegada de um trio elétrico, o espaço reduzia e a dança ganhava vida. Praticamente impossível não se deixar contagiar pela multidão. É quase automático ouvir o frevo e sair pulando com todos em um movimento sincronizado.

Todos os caminhos levaram para o Galo neste sábado. Foto: Diego Nigro/JC Imagem

Todos os caminhos levaram para o Galo neste sábado. Foto: Diego Nigro/JC Imagem

Reis, padres, imperadores, palhaços, heróis e até homens das cavernas deixaram os seus respectivos nichos e se juntaram para cumprimentar o Galo da Madrugada. Se fosse uma cidade, tem gente suficiente para isso, seria para lá de cosmopolita tamanha as diferenças entre os foliões.

Palhaço Chocolate trouxe alegria e colorido para o Galo. Foto: Fábio Jardelino/ NE10

Palhaço Chocolate trouxe alegria e colorido para o Galo. Foto: Fábio Jardelino/ NE10

Superman dá uma 'forcinha' no desfile do bloco. Foto: Fábio Jardelino/NE10

Superman dá uma ‘forcinha’ no desfile do bloco. Foto: Fábio Jardelino/NE10

“O Galo é multidão e representa o povo do Recife. Tem muita gente da região, que vive isso com toda a força. Eu gosto é do povo e isso aqui faz parte da mais alta manifestação dele”, disse a foliã Ana Loureiro, que vem pela quarta vez ao bloco, diretamente de São Paulo.

Não faltaram fantasias neste sábado. Foto: Fábio Jardelino/NE10

Não faltaram fantasias neste sábado. Foto: Fábio Jardelino/NE10

Família ganha espaço no Galo. Foto: Fábio Jardelino/NE10

Família ganha espaço no Galo. Foto: Fábio Jardelino/NE10

Genuinamente pernambucano e defensor da nossa cultura, Reginaldo Rossi foi lembrado no desfile não só nas canções vindas dos trios elétricos, mas nas fantasias. O cantor morreu no fim do ano passado.

Reginaldo Rossi foi lembrado no desfile. Foto: Hélia Scheppa/JC Imagem

Reginaldo Rossi, e seu garçom, foi lembrado no desfile. Foto: Hélia Scheppa/JC Imagem

Ao todo, 30 trios trouxeram o frevo e outros ritmos para o folião, que pouco fez do forte calor do Recife neste sábado. A principal preocupação era quando a próxima atração viria para aumentar ainda mais a temperatura humana. Como tudo no Recife, calor só presta se for muito e se for o maior do mundo. “Essa festa é para todo mundo se divertir. O Galo é o maior expoente do povo pernambucano”, afirma o contador Gregório Lima, que trouxe toda a família pela primeira vez para o desfile. Com esse tipo de declaração, fica difícil não ficar apaixonado pelo bloco.

NE10

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