Galdino Vilante (1)


O advento de tecnologias mais avançadas, mormente no mundo cibernético, vai nos fazendo, aos poucos, ir esquecendo hábitos e costumes doutrora. Se tomarmos, como exemplo, aquele velho hábito de ligar rádios, vitrolas, eletrolas, radiolas, walkmans, transistores e quejandos, vão emergindo em nossa memória nomes que nos conduzem a um passado não tão distante.

Assim é que, dentre esses nomes, quem se não há de lembrar de alguns, como RÇA Victor, Telefunken, Telespark, Philips, Mullard, Siemens, Zilomag, General Eletric, ABC, dentre outros muitos aparelhos que se foram sofisticando até chegarem aos almejados Hi-Fi ou Stereo. Aqueles, desde os mais simples, eram o objeto de desejo até das famílias financeiramente mais humildes.

Quem não se lembra dos pequenos rádios portáteis que, ainda hoje, nos servem para acompanhar as transmissões futebolísticas? Era a época dos aparelhos alimentados por válvulas. Depois é que vieram os transistores que se foram convertendo em chips.

Por essa época, pontificavam em Cajazeiras, como em outras cidades provincianas, os nossos amigos eletrotécnicos sempre dispostos a consertar os defeitos que apareciam em nossos aparelhos áudio e radiofônicos.

E era nesse ambiente que recorríamos aos trabalhos pacientes de Galdino Vilante ou mesmo de um dos seus discípulos, como Oziel Vasques ou mesmo Zé de Totô. Ao que nos consta, a fonte de aprendizagem desse pessoal eram os cursos por correspondência ministrados pelo tradicional Instituto Universal Brasileiro, que espalhava pelo Brasil seus manuais teóricos e práticos, numa atividade hoje pertinente aos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, nos moldes do que existe em Cajazeiras, trazido pelo trabalho e pela luta ingente do Deputado Edme Tavares que estará sempre a merecer os nossos encômios e as nossas homenagens.

Os pais de Galdino Vilante aportaram em Cajazeiras, vindos de sua cidade natal – Patos-PB. Em chegando à nossa cidade, o casal Antônio Bernardino Vilante e Maria Vilante dos Santos estabeleceram-se na propriedade do Prof. Crispim, ali por trás do Açude Grande, onde passaram a trabalhar como “moradores”.

Geraram filhos que desempenharam atividades simples, porém notáveis: Bernardo, violonista; Ageu, porteiro do Cine Éden, onde formava dupla com Eusébio, aquele que era conhecido como “O Mudo”, e que era especialista em serviços hidráulicos; Olímpio foi sapateiro; e, por fim, por enquanto, Ernestina.

Há um fato curioso a narrar: o pai de Galdino, certo dia, fugiu das responsabilidades domésticas, passando quinze anos naquela de “ninguém sabe, ninguém viu”. Reaparece, então, na propriedade do Prof. Crispim, com duas filhas oriundas dessa fuga, implorando o perdão da esposa que, mesmo relutando em aceitá-lo de volta, foi a isso impelida pelo patrão.

É aí que, após feitas as pazes em “cama e mesa”, nasceu o chamado “filho de rama”, Galdino Vilante que, perdendo o pai com apenas um ano de idade, foi criado pela mãe, junto com os outros filhos, sendo, em consequência disso, impedido de fazer um curso curricular, conseguindo apenas ser alfabetizado, o que lhe permitiu fazer o tal curso do Instituto Universal Brasileiro.

Casou-se com Chiqueta, sobrinha de João Henrique e irmã de Gessy, Zé Nogueira, Lacy, Pavão e Tim (os dois últimos jogaram como goleiros do nosso Atlético).

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