TATYANA

Futebol na Paraíba é para clubes grandes

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Sucesso de Botafogo, Campinense e Treze em 2013 contrasta com a realidade dos pequenos
Sucesso de Botafogo, Campinense e Treze em 2013 contrasta com a realidade dos pequenos

O futebol paraibano teve um ano como há muito não se via – para não dizer que nunca se viu. Um ano que começou com o Campinense conquistando o inédito título da Copa do Nordeste e que terminou também com a marca do pioneirismo, com o Botafogo levantando a taça do Campeonato Brasileiro da Série D.

Até mesmo o Treze, o único grande a não conquistar um título em 2013, tem lá suas razões para comemorar. Afinal, ganhou definitivamente a briga jurídica com a CBF para se manter na Série C e, dentro de campo, ficou a um jogo do acesso para a Série B. Por fim, investiu pesado no patrimônio e transformou o Estádio Presidente Vargas numa importante fonte de renda.

O sucesso do trio de ferro, antes de ser comemorado como redenção do futebol paraibano, só serviu para expor ainda mais o abismo que existe em relação aos demais clubes. O que acabou, indiretamente, provocando o afastamento temporário dos dois times de Patos do futebol profissional.

“Aqui recebemos o apoio de 30 mil reais por ano da Prefeitura de Patos. Em João Pessoa, o Botafogo recebe quase R$ 1 milhão. É um alto investimento, bem diferente dos nossos padrões”, argumentou o presidente do Nacional, Afranildo Pereira, ao justificar a saída de seu clube e também do Esporte de Patos do Campeonato Paraibano.

De fato, o Estadual virou uma competição à parte para Botafogo e Treze. Ambos já deixaram claro que a prioridade no ano que vem será brigar pelo acesso para a Série B. Com a terceira divisão começando em abril – pouco depois do final previsto para o Paraibano -, é possível que a disputa doméstica seja deixada de lado. Ainda assim, ambos dividirão generosas cotas do Gol de Placa por já estarem incluídos em quatro competições em 2014 – além do Paraibano e da Série C, vão jogar também a Copa do Nordeste e a Copa do Brasil.

“Essa lei jamais poderia contemplar também a Copa do Nordeste. Esses 9% destinados para a competição, você acaba tirando dos pequenos. O Gol de Placa já contemplava a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro”, disse o presidente do Sousa, Aldeone Abrantes.

O Dinossauro, aliás, sai perdendo com a nova geografia do futebol paraibano. Com as desistências de Nacional e Esporte de Patos, e a substituição por dois times de Campina Grande (Queimadense e Sport Campina), as despesas vão aumentar. E isso, claro, pode afetar o desempenho do time em campo.

“Acredito que as nossas chances de classificação caíram pela metade. Enquanto todos os outros times saem com seis pontos contra Queimadense e Sport Campina, a gente vai ter que ralar muito jogando no Presidente Vargas, com aquela pressão toda. A saída dos times de Patos foi financeira e tecnicamente horrorosa”, admitiu o presidente sousense.

JORNAL DA PARAÍBA
ELIANE BANDEIRA

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