Fortaleza se consolida como polo preparatório para o ITA


ITA-CE_800x489

Fortaleza é a cidade que mais aprova no vestibular considerado o mais difícil do País, o do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). No topo do ranking há mais de cinco anos, a cidade já é um polo de preparação para os jovens que sonham em estudar no instituto militar. Em 2016, dos 140 aprovados, 61 são de escolas de Fortaleza. Em segundo lugar, com 39 aprovações, fica São José dos Campos (SP). No ano anterior, das 170 vagas, 61 permaneceram com candidatos daqui; 46 com os de São José dos Campos.

Com a projeção nacional a partir desses resultados, as escolas cearenses também se tornam destino para alunos de outros estados. Para o professor e supervisor das turmas ITA do Colégio Ari de Sá, Leonardo Bruno, atualmente, 25% dos estudantes do terceiro ano das duas turmas preparatórias para o instituto militar da escola são provenientes de outros estados. “O Ceará está se aperfeiçoando e se projeta nacionalmente. Os alunos de fora já enxergam Fortaleza como polo de preparação. A procura é muito grande. Temos alunos de Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rondônia, Rio Grande do Sul e até de São Paulo”, explica o professor que já foi aluno da escola e se formou no ITA.

No ensino fundamental, o paulista Pedro Diniz decidiu que queria ser aluno do ITA e, para isso, veio aos 14 anos morar em Fortaleza em busca de uma preparação mais eficiente. “No primeiro ano do ensino médio, pesquisando sobre cursinhos descobri que Fortaleza é um centro de excelência na preparação para escolas militares”, conta ele que reconhece que o grande diferencial está nos alunos extremamente focados e na estrutura e corpo docente voltados para a preparação específica.

 

O dia a dia não é fácil. Pedro tem uma rotina diária de estudo de 12 horas, contando com as aulas regulares e atividades extras que acontecem no próprio colégio. Aos sábados, ainda tem os simulados no estilo das provas do ITA e do IME. “A maior dificuldade é conciliar a rotina de estudos com as atividades diárias e manter a matéria toda em dia. Também tem a saudade, que é superada com muito foco e apoio da família”.

Reforço

A certeza de que o esforço vale à pena é quando ex-alunos voltam à escola para contar suas vitórias. Walter Marinho, 21 anos, tem uma trajetória semelhante a de Pedro. Saiu, em 2013, de Caruaru para estudar em Fortaleza. Foram cinco tentativas até que, no ano passado, foi aprovado para engenharia eletrônica no ITA. Na semana passada, voltou e passou em salas específicas de preparação para o vestibular militar do Colégio Farias Brito para contar sua experiência.

“Não dá para passar no ITA sozinho. Você precisa do apoio de outras pessoas. Era bem complicado não estar com a família. Mas os meus pais sempre me deram muito apoio. A gente estudava junto. Um que sabia mais ensinava quem não tinha aprendido ainda”, conta ele, que mantinha uma rotina de quase 14h dentro da escola. Walter explica que, além dos professores e amigos, a psicóloga o ajudou bastante a enfrentar a pressão.

O supervisor de Vestibular do Colégio Farias Brito, Marcelo Pena, explica que é preciso uma estrutura de apoio grande para esses jovens. “A gente tem um foco muito grande nos professores, que são extremamente qualificados. São professores engajados em projetos de Olimpíadas, acostumados com alto nível de cobrança e que são, em sua maioria, exclusivos. Mas é preciso também o engajamento da escola. Eles precisam de um bom suporte emocional”, diz Marcelo. Com turmas específicas desde o ano de 1992, o colégio apostou – em 2010- num processo mais amplo de preparação. O ideal é que o aluno inicie os estudos específicos para o ITA no primeiro ano do Ensino Médio. Esse modelo, que acontece também no Ari de Sá e Colégio 7 de Setembro, garante resultado mais eficaz.

No Colégio 7 de Setembro, a grande maioria dos alunos de turmas específicas para o ITA é formada por quem estuda na escola desde pequeno. A necessidade de entrar nesse nicho, em 2005, surgiu de uma demanda interna. “Uma das missões do colégio é desenvolver os potenciais de cada aluno”, explica o supervisor de ensino do Pré-Vestibular Silvio Mota, que conta 10 aprovações por ano.

Início cedo

Aluno da escola desde o ensino fundamental, Hermes Nascimento, 18 anos, se dedica ao vestibular do ITA desse o nono ano. “Acredito que, quanto mais cedo a gente se preparar, mais chance de passar. Além disso, o programa específico é fundamental”. Hermes estuda 14h por dia. Outros 69 alunos são divididos em suas turmas específicas do último ano.

O Antares prepara há 8 anos para os vestibulares militares. A supervisora do Ensino Médio da escola, Ladyjane Brasileiro, explica que são cerca de 45 alunos com foco no ITA. Apesar de um número menor, a escola vem investindo por compreender a importância. “São turmas menores, com professores específicos e carga horária diferenciada. Mas que a gente investe. Temos tido aprovações desde o primeiro ano”, reconhece.

No Comment

Leave a reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *