Filmar ou fotografar Cajazeiras do alto do Cristo Rei


O Cristo Rei com seus braços abertos abençoando Cajazeiras foi doado pelo senhor Silvino Bandeira aos cajazeirenses em 1939, na administração do prefeito Celso Matos. Décadas atrás o seu acesso era por estrada de chão batido, onde as pessoas subiam a pé até o topo do morro, às vezes um pouco com dificuldade, devido os buracos. Alguns motoristas chegaram lá em cima, através de jeeps, que era o utilitário mais indicado para essa tarefa. Devido a tração muito forte do jeep, as pessoas falavam que era “um carro que subia até em pé de côco”. Neste período, não existia casas na encosta do Cristo Rei.

Atrás da estátua do Cristo, ficava a caverna ‘furna da onça’, onde as pessoas faziam pic nic dentro dela, sempre aos domingos, levando a farofa de sardinha ou galinha, o garrafão de cinco litros de vinho e as meiotas de Pitu ou Caranguejo, o refrigerante Bidú, o Crush, o cigarro Continental sem filtro, o rádio de pilha para ouvir as rádios de Cajazeiras – Difusora e Alto Piranhas, enfim, outras coisas mais. Nesse local, rolava os bate-papos entre amigos, amigas e os casais se enamoravam.
Uma curiosidade que poucos se aventuravam, era subir nas pedras que formavam a furna da onça, devido sua inclinação quase vertical. Era muito difícil subir e na descida todo cuidado era pouco para não sair todo arranhado. Até hoje tenho marcas nas pernas dessa aventura. Eu e meus amigos Ribamar (Riba do violão); William Carioca e Nenen de iraídes, já subimos no topo da estátua do Cristo Rei, a qual eu a abracei.

O Cristo Rei era mais bonito antigamente, porque não existia as antenas das empresas de rádio, TV e telefonia, que hoje tiram seu brilho, sem nenhum benefício para o erário público. A visão hoje da estátua do Cristo Rei, é que com as instalações dessas antenas, o Cristo ficou sufocado no meio delas, tirando sua visibilidade total, e ainda as casas construídas ao pé do morro, as quais fazem lembrar uma favela. Aliás, elas já fazem parte da história do cinema cajazeirense, onde foi filmada neste local, a casa de Inacin – personagem do filme “O Sonho de Inacin).

O Cristo sempre foi um dos pontos pitorescos de Cajazeiras e lá de cima, muitas pessoas já fotografaram Cajazeiras e ainda fotografam através das lentes de uma máquina fotográfica Pentax, ou de uma câmera digital Sony ou mesmo de uma filmadora Panasonic, daquelas que era usada no ombro do profissional ou do amador, e até mesmo, a mais moderna da Sony, que é usada na mão com apoio de uma cinta para apoiá-la. Tem ainda o celular mais moderno que vem com uma câmera já adaptada.

A sensação de estar lá em cima procurando um ângulo é de imensa alegria, porque em 360 graus se registra em fotos ou filmagem, Cajazeiras e adjacências, onde se contempla a Faculdade Santa Maria, o Seminário Nossa Senhora da Assunção; a pedra do sapo bem próximo do Seminário; a antiga Rodoviária; a Catedral; o Açude Grande; a pista do novo aeroporto; os colégios Diocesano e Nossa Senhora de Lourdes; o Estádio Perpetão; a casa de Show Pallacium; as ruas e avenidas da cidade com seus habitantes no vai e vem do dia-a-dia, uns andando a pé, outros de bicicleta ou moto/mototáxi, e ainda o movimento dos automóveis e ônibus.

Acredito que num futuro bem próximo, do alto do Cristo Rei, o cajazeirense vai fotografar o pouso e a decolagem de aviões do novo aeroporto. E quem sabe o avião passando ao lado do Cristo Rei?

Aprecia-se também a imensidão do cerrado, onde se contempla com uma vista dos sítios, chácaras, as fazendas, e ainda as quatros saídas de Cajazeiras, que seguem para São José de Piranhas (Jatobá); para o Ceará; para São João do Rio do Peixe e, finalmente, para Sousa.

PEREIRA FILHO É CAJAZEIRENSE E RADIALISTA NA RÁDIO NACIONAL DE BRASÍLIA

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