Espelho

A COLUNA DE RAFAEL HOLANDA

Meu filho, beije as minhas mãos tremulas, pois as tuas eu segurei ensinando os primeiros passos. Mostrei-lhe cada dedinho e o seu significado, em cada instante e momento de tua infância.

Compreenda a dimensão que nos separam, as coisas do hoje se tornaram dificuldades em minha memória, mas quando criança repetir inúmeras vezes o que desejas.

Não me deixe solitário, perdido num imensidão sem sentido, fazendo com que possa se tornar anônimo, neste grande mundo que com esforço lhe entreguei.

Enxugue cada lagrimas destas tristezas sem significado, e mesmo sem embaraço, tente compreender um pouco do meu espaço e amplie a luz que vem diminuindo ao meu redor.

Mesmo velho, e sem caminho permaneço seu pai por esta estrada de espinho que o tempo por sua ingratidão entregou em minhas mãos.

Só resta agora mostrar que a vida é um espelho, que expõe e mostra reflexo do que possa fazer, para que amanhã não viesse acontecer, que o velho e solitário não seja você.

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