Embratur trava privatização do Brejo das Freiras


Vanderlan Farias

Uma dívida estimada em R$ 4 milhões com a Empresa Brasileira de Turismo emperrou o processo de privatização dos dez hotéis pertencentes ao Governo do Estado. O edital de venda está quase pronto, mas a Embratur só libera a transação após o pagamento da dívida. A estatal recebeu como garantia pelo menos 30% desse patrimônio, que inclui os hotéis de Brejo das Freiras, em Cajazeiras, e Bruxaxá, em Areia. A dívida é resultado de empréstimos contraídos, ao longo dos anos, para investimentos nos próprios hotéis.

A situação vem tirando o sono da presidente da PBtur, Ruth Avelino, e do secretário estadual de Turismo, Ciência e Tecnologia, Renato Feliciano. O Governo do Estado quer doar à Embratur um prédio na cidade de Monteiro, no Cariri, em troca da quitação do débito, para dar prosseguimento à licitação, mas a operação depende ainda do aval da Advocacia Geral da União. Não é um processo tão simples quanto parece.

Tanto que o impaciente deputado Tião Gomes (PSL) já sugeriu ao Governo do Estado o arrendamento do Hotel Bruxaxá. Ele alega que a região do Brejo precisa do equipamento para dar suporte ao turismo e não pode esperar que um dia o entrave seja superado e a privatização ocorra. “Quem perde com isso é o Governo do Estado, responsável pela manutenção do hotel desativado, e a cidade de Areia, que fica sem o equipamento para receber os turistas que visitam a região”, lamentou Gomes.

O problema maior é a discrepância entre a dívida com a Embratur e o valor que o Governo do Estado espera arrecadar com a venda dos hotéis. Tirando o Bruxaxá, avaliado em R$ 2,2 milhões, e o Brejo das Freiras (R$ 2 milhões), os demais equipamentos estarão expostos por quantias bem inferiores, com base numa avaliação feita pela Suplan no ano passado. Isso quer dizer que o Estado praticamente vai entregar sua rede hoteleira para saldar o débito com a Embratur. Por isso a necessidade de doação de outro prédio, que serviria para instalação da sede da estatal na Paraíba. De qualquer forma, o prejuízo para o Estado já é uma realidade.

A intenção de privatizar os hotéis é antiga. Com exceção do Brejo das Freiras, todos os outros dão prejuízo ao Estado. Alguns, segundo a presidente da PBtur, estão arrendados a preços “simbólicos” (R$ 350,00 mensais) e mesmo assim os arrendatários vinham “esquecendo” de pagar. Por outro lado, não se tem a certeza de que os futuros proprietários, após a privatização, manterão os hotéis funcionando. A desativação definitiva seria mais um “tiro” no nosso combalido turismo.

Coluna publicada no ClickPB

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