Elas são guerreiras

A COLUNA DE RUI CÉSAR VASCONCELOS LEITÃO

Mudanças nos arranjos familiares trazem para a contemporaneidade novas relações entre avós, pais, filhos e netos. Mais complicado ainda quando essas estruturas familiares são lideradas por avós e mães sem a presença dos cônjuges ou companheiros do sexo masculino. No entanto, há de se reconhecer que elas são verdadeiras heroínas. O que nos leva a discordar que esses lares sejam “fábricas de desajustados, encaminhados para o tráfico” como afirmou um general da reserva que disputou a eleição presidencial, na condição de vice de uma chapa da extrema direita.

Conheço, inclusive no meu rol de parentesco, muitas mulheres, mães e avós, que criaram e criam seus filhos e netos, com responsabilidade e dignidade, não obstante as inúmeras dificuldades que enfrentam. E, raramente, identifico, dentre essas estruturas familiares, casos de desajuste de personalidade voltados para o desregramento social. Classificar a convivência de gerações, sem a participação do elemento masculino no comando da família, como sendo causa de ingresso dos filhos e netos nas narco-quadrilhas, é, antes de qualquer coisa, uma ofensa a essas bravas mulheres brasileiras. Predomina aí, também, um conceito machista que não se admite mais nos dias de hoje, principalmente por quem se propõe a governar o país.

Ele desconhece que as evidências maiores de elementos desajustados estão nas famílias abastadas, ou nas que se colocam na base da pirâmide social que têm na figura masculina (pai ou avô), exemplos de comportamento ausente de valores morais e violência de atitudes que produzem conflitos domésticos.

No Brasil existem mais de onze milhões de mulheres que chefiam seus lares, corajosamente enfrentando todo tipo de dificuldade para garantir um bom futuro para seus filhos e netos. Mentores masculinos não são necessariamente garantidores de uma educação pautada na integridade e na boa formação moral. Claro que o núcleo familiar ideal seria com a participação paterna, seja representada pelo genitor ou pelo avô, compartilhando responsabilidades com a mãe ou a avó, na educação dos filhos e netos. Ocorre que nem sempre isso é possível, e recaem, por circunstâncias as mais variadas possíveis, sobre as mulheres os encargos de sozinhas assumirem o papel de educadores e líderes da família. E se portam com valentia nessa missão. São mulheres protetoras e guerreiras que merecem de todos nós respeito e homenagens.

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