Desde muito antes de minha singela pessoa existir, lá pelo início do século passado, de  em quando existe alguma coisa que seja feita para que se para que se enxugue o estado, se olha para Cajazeiras, e vupt, se retira alguma coisa de nossa cidade, Desde que a linha ferroviária que originalmente passaria por cá (já haviam posto um quilômetro de dormentes de Lavras da Mangabeira em direção a Cajazeiras), e foi desviada para, como o próprio Padre Cirilo de Sá afirmou, o trem tinha que passar no fundo do seu quintal em São João do Rio do Peixe, como aconteceu, Perdemos a linha principal e recebemos um ramal deficitário como prêmio de consolação, que nossa cidade tem sido vítima de orquestrações alienígenas (ou seja de interesse  outras cidades que se sobrepuseram aos nossos interesses), que minha mãe reclamava contra o fato de aqui ser chamado da Cidade do Já teve.

Mas por que acontecia isso há tempos atrás e por que está acontecendo agora recentemente?

Quando eu era menor, há uns cinquenta anos atrás, meados da década de 60, começo dos anos 70, acontecia uma coisa semelhante ao que está acontecendo recentemente: aqui se escolhem candidatos que ficam, a desejar, e que ficam fazendo a política paroquial enquanto se esquecem que existem outras esferas maiores e essas são aonde se tomam as grandes decisões.

Quero homenagear, uma dessas decisões equivocadas, o muito recentemente falecido Raimundo Ferreira, que bem me lembro, quando era criança trouxe (segundo se divulgavam naquele época) a água e o telefone de discagem direta para nossa cidade, na eleição subsequente para prefeito, experimentou uma derrota, que na outra eleição, essa outra derrota foi avassaladora, e o mesmo abandonou a política, levando uma mágoa enorme de nossa cidade. Temos que reconhecer: a primeira derrota se deveu em grande parte por Raimundo Ferreira não querer ser o candidato da UDN, que terminou indicando Chico Rolim, que terminou por vencer o pleito. Chico Rolim era também uma pessoa de muitos méritos, tanto que conseguiu ser reconduzido à prefeitura, e que eu tenho muito carinho por ele e sua família, mas naquela época, a sensação era Raimundo Ferreira.

Depois, Sousa Tinha dois deputados, Antônio Mariz e Marcondes Gadelha, que apesar de rivais em sua cidade, eram aliados contra Cajazeiras, ou seja: sempre puxavam a brasa para a sardinha da cidade onde tinham maior base eleitoral, enquanto a gente ficava órfã no Congresso Nacional, onde se tomam as grandes decisões de nosso país.

No tempo de minha mãe (minha maior referência), o pessoal daqui (Edme Tavares é um deles) conseguiu pôr em prática uma estratégia que tirava um pouco esse desequilíbrio, trouxeram  um candidato viável, com eleição garantida, para nossa cidade, o fizeram Cajazeirado, e Wilson Braga com as votações consagradoras aqui recebidas,  se tornou nosso representante, e muito fez por nossa cidade, inclusive quando foi eleito governador,  fez uma enorme diferença para nós, praticamente tiramos o atraso em relação a nossa cidade-irmã.

Recentemente, nossa cidade foi tomada por uma onda, na minha opinião de irracionalidade política, e se derramaram 20.000 votos em Antônio Gobira, que eu até admiro como sapateiro e como juiz de futebol excêntrico, mas além de tudo isso, era um candidato que não tinha a menor condição de ser eleito, seu partido da época, o PSOL não iria fazer nenhum Deputado (o quórum eleitoral não seria atingido de forma nenhuma) e nessa onda, em que eu vi inclusive grandes amigos e muitas pessoas que achava sensatas apoiarem essa candidatura inviável, e mesmo com a maior votação de nossa história para Deputado Federal, não foi eleito, como previsto.

Isso deixou-nos sem representantes na Câmara Alta, e também como que magoados os candidatos que eram votados aqui como Efraim filho, Wilson Filho e Wellington Roberto, que ficaram descompromissados com os pleitos de nossa cidade: se alguém for para algum deles pedir alguma coisa para Cajazeiras, não sei o que eles dizem, mas se fosse eu, responderia: Vão procurar o sapateiro em quem vocês votaram.

Pronto: aí está a razão de que Cajazeiras foi a primeira cidade a perder a Vara do Trabalho, e agora a Receita Federal em breve fecha suas portas, e mais coisa vem pela frente; e vamos ter que conviver, cinquenta anos depois com a incômoda pecha de ser novamente “A cidade do Já teve”.

P.S. – Dedico essas ao grande que nos deixa, Raimundo Ferreira, que Deus tenha por ele a consideração que não tiveram nossos concidadãos.

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