DVDs reúnem a memória da música cearense


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Graças à tecnologia foi possível condensar um pouco da história da música cearense numa pequena caixa, contendo seis DVDs, com duração de 50 minutos cada. Produzido e dirigido por Ulysses Gaspar, trata-se do projeto “Grandes Nomes da Música Cearense”. A iniciativa contou com o apoio da Secretaria da Cultura do Estado (Secult). O box pode ser adquirido, a partir dessa semana, por R$ 50, em algumas entidades beneficentes, que ficarão com a renda.

Cada documentário é centrado num artista. Amelinha, Ednardo, Evaldo Gouveia, Fagner, Fausto Nilo e Nonato Luiz falam, em primeira pessoa, sobre suas carreiras, sonhos e projetos futuros. As conversas são intercaladas por depoimentos de amigos e parceiros, imagens e música. Os recursos dão dinamismo, servindo para localizar, no tempo e no espaço, as várias nuances das histórias de vida desses artistas.

A idealização é do empresário Ulysses Gaspar, que assina a direção dos documentários, produzidos e finalizados em seis meses. O projeto é fruto da paixão que nutre pela música desde criança, quando queria ser cantor. A falta de voz não permitiu que ele levasse o sonho adiante, mas a conexão com a música jamais se desfez. A vontade de conviver de perto com os ídolos que fizeram parte de sua adolescência serviu de estímulo para realizar o projeto, uma vertente do programa “História da Música”, da TVC, que completa cinco anos neste ano.

“Percebi que as novas gerações não conheciam esses talentos”, explica. Desta constatação, nasceu a série de documentários, cuja segunda etapa do “Grandes Nomes da Música Cearense” já está em andamento. Serão documentadas as trajetórias dos músicos Manassés, Waldonys, Ricardo Bezerra, Calé Alencar, Pingo de Fortaleza, Rodger Rogério e Téti.

Memória – Ulysses Gaspar assina ainda o roteiro e a pesquisa dos filmes. Os trabalhos sobre Amelinha e Evaldo Gouveia foram gravados no Rio de Janeiro; os demais, em Fortaleza. O idealizador da caixa fala, com entusiasmo, sobre a realização do trabalho. “Faço um passeio pela vida de algumas personalidade da música cearense com destaque no cenário artístico nacional”, detalha o conceito.

Os relatos não podem ser contestados, uma vez que são contados pelos artistas, tranquiliza. Destaca algumas particularidades sobre a vida dos artistas, afirmando que Evaldo Gouveia não nasceu em Iguatu, mas, sim, em Orós. Explica que o avô do compositor era delegado, sendo transferido para Iguatu, quando Evaldo Gouveia tinha poucos meses.

O documentário do cantor e compositor Raimundo Fagner esclarece sobre sua cidade natal. “Ele não é de Orós. Nasceu em Fortaleza, na Rua Major Facundo”, revela. O pai, que se chamava Fares, era libanês e escolheu o município de Orós para morar, onde conheceu a mãe do cantor.

E não faltam histórias de bastidores. “A casa de Amelinha em São Paulo funcionava como um abrigo”, compara Ulysses Gaspar, fazendo referência ao acolhimento com os conterrâneos. “Fagner morou na casa dela”, lembra, “assim como Belchior, que também foi hóspede da cantora”.

Fagner era amigo do cantor e compositor Vinícius de Moraes que demonstrou interesse em conhecer Amelinha. O cantor intermediou o encontro, com direito a música, fazendo com que Vinicius se encantasse com a voz da cearense. “Ele gostou muito e convidou Amelinha para acompanhá-lo em uma excursão pelo Uruguai e Argentina”, conta Gaspar.

Foi assim que a cantora começou sua carreira profissional, mudando-se em seguida para o Rio de Janeiro. Naquela época, a capital carioca concentrava grande número de gravadoras. Lá, ela conheceu Zé Ramalho, com quem se casou e teve dois filhos. Hoje, Amelinha mora em Niterói.

Trilha – As histórias estão bem ilustradas e com muita música, garante Ulysses Gaspar, que antecipa algumas particularidades do trabalho. Revela que quando Ednardo compôs a música “Beira-Mar”, ele trabalhava ainda na Petrobras, como engenheiro químico. A inspiração veio enquanto trabalhava, durante uma noite de lua, no Mucuripe. Os documentários ainda destacam que Fagner e Ednardo, expoentes da cena do “Pessoal do Ceará”, se conhecem desde criança. Os dois artistas eram vizinhos e iam juntos para a escola.

Nonato Luiz também fala de seu período de formação, do tempo em que estudou no Conservatório de Música Alberto Nepomuceno e, depois, morou na Europa, tocando na França, Áustria e Viena.

Convidados – Natural de Quixeramobim, Fausto Nilo não pensava em ser arquiteto. Sequer conhecia a profissão quando morava na casa do avô, que pertenceu a Antônio Conselheiro. O arquiteto e compositor recorda que gostava de olhar o trabalho dos pedreiros, surgindo daí o interesse pela Arquitetura e Urbanismo. Fausto conta que tinha um caderno em que anotava letras de músicas. Alguns artistas foram convidados a dar depoimentos sobre os cearenses. São eles: Ângela Rô Rô, Danilo Caymmi, Geraldo Azevedo, Nando Cordel e Beto Barbosa, dentre outros.

A caixa com os seis documentários podem ser adquiridos, nos seguintes locais: Lar Amigos de Jesus; Associação Peter Pan, Instituto de Prevenção à Desnutrição e à Excepcionalidade (Iprede) e Lar Torres de Melo.

Mais informações – Box “Grandes Nomes da Música Cearense”. Pode ser adquirido nas instituições: Lar Amigos de Jesus (Rua Ildefonso Albano, 3052/ 3067.6565); Associação Peter Pan (Rua Alberto Montezuma, 350/ 4008.4109); Iprede (Av. Da Universidade, 1980/ 3251.9100; e Lar Torres de Melo (Rua Júlio Pinto, 1832/ 3206.6750)

DIÁRIO DO NORDESTE

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