Sei que o tempo ainda é bastante exíguo para cobranças mais intensas. Fincar pé da situação exige um intervalo temporal maior para se situar e atualizar o quadro, nem sempre explícito e transparente, dos meandros da administração pública. Mas me atrevo traçar essas linhas e rabiscos ousando iniciar uma conversa com Zé. Desculpe o tratamento mais intimista.

Considero que tratarmos nossos governantes com o respeito que a intimidade constrói cresce as chances de participar da governança de forma mais verdadeira e colaborativa.

Assim, mesmo que virtual, convido o Zé para um cafezinho de fim de tarde e, neste espaço, atualizar algumas questões sobre nossa cidade.

Uma delas, a caótica situação de nossas ruas.

Zé, você já viu que, logo no início da noite, a calçada de nossa Igreja Catedral se transforma em praça de comércio. Ali um vendedor de cachorro quente instala seu carrinho, mesas, cadeiras bem embaixo do semáforo. Os clientes vão chegando e estacionando carros e motos ao sabor de seus desejos, sem qualquer consideração com leis e normas de trânsito. E olha que este é um importante ponto de tráfego de veículos, por representar um dos principais acessos as zona norte da cidade e ao Campus da UFCG.

E como este, outros pontos de venda de cachorro quente, açaí e outras bugigangas alimentares se instalam em vários pontos da cidade, sempre ao final da tarde, transformando ruas, calçadas, logradouros em espaços privativos.

Pedestres, veículos, aspectos urbanísticos, higiênicos, de saúde pública, que importa! A crise justifica!

A bagunça urbana continua, caríssimo Zé!

Sabe esse largo que fica próximo a antiga estação rodoviária?

Em um pequeno cubículo, ao lado de um posto de combustível, alguém instala uma oficina para conserto de motocicletas. Claro que motos, clientes e o trabalho em si se concentram na calçada. Pedestres que se rebolem para circular entre carros e motos.

E, para tornar o cenário mais dantesco logo nas primeiras horas da manhã um vendedor ambulante de lanches instala seu carrinho ao lado da oficina tornando o quadro mais complicado.

Ora, até viaturas da polícia param na esquina para que os valentes “defensores da ordem” abasteçam suas barrigas!

Esquina oposta uma reforma no prédio se arrasta há vários meses e, com uma recorrência espantosa, andaimes são espalhados pelo leito da rua tranquilamente. E, mais uma vez, pedestres, motoristas que se danem. E, claro, complicando a cena a calçada é ocupada por uma caçamba para recolhimento de entulhos e por um grande banner de uma empresa comercial, tornando a visão de motoristas que carecem acessar a avenida principal um verdadeiro malabarismo de adivinhação. Somando-se neste palco de absurdos um posto de moto taxi, onde motos e motoristas se entulham na calçada.

Desculpe Zé!

Mas o café, por hoje, acabou!

Na próxima prosa vou providenciar uns biscoitinhos de nata e, quiçá, nossa conversa seja mais otimista!

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