Diga não às drogas… e ao descaso também


Saulo Péricles Brocos Pires Ferreira

Aconteceu numa segunda-feira: A Câmara dos Vereadores de Cajazeiras fez uma sessão Solene para tratar do caso das drogas. Tudo impressionava, além dos vereadores, representantes da Polícia Civil e Militar (Comandante do Batalhão, inclusive), Justiça, Igreja Católica, e até um membro da Câmara Federal, no caso o Dep. Wilson Filho. Discursos perfeitos, reivindicações justíssimas, tema da maior importância tratado com a consideração que se deve; Toda a reunião era impressionante, em determinados momentos chegava a empolgar…

Ate que no decorrer dessa sessão, não sei por que, começou a aparecer aquela sensação deja-vú, de que eu na verdade estava era num comício de Leo Abreu; gente importante, discursos perfeitos, colocações mais que isso, a platéia querendo acreditar e depois uma administração omissa, pífia, para não dizer desastrosa. Era uma estranha sensação de uma ciosa que dentre os problemas a se resolver nesse mundo pós-pós-moderno, da era da digitalização em massa e da exclusão idem, como o que vivemos, se afigura como o mais desafiador, e que se não administrado com o cuidado e com determinação necessários, nos vai trazer problemas de tal gravidade, que pode ser que comprometa a sobrevivência de nossa cultura, ou mesmo de nossa sociedade.

Eu achava que estava sozinho, era apenas um sujeito que estaria fora do foco, que era uma mal compreensão da minha parte… Esse menino velho que ainda adora pegar uma baladeira para sair por aí quebrando vidraças, essas coisas, mas no dia seguinte, vendo os programas matinais, ouvi um comentarista da área policial, Everton Pereira, o Biguinho, que fez um comentário focando exatamente o que eu achava que estava faltando na sessão: vou tentar repetir o que ele disse, pedindo desculpas por algum lapso de memória: “… Tudo bem, mas o que eu não ouvi foi o que esta sendo feito para acabar ou pelo menos diminuir o batalhão de zumbis que toda noite ronda nossas madrugadas…” .

Pronto, Foi como o menino que viu o monarca supondo vestir vestes mágicas, olhou disse: o rei está nu! Era a colocação certa para o momento, a gente, nós cajazeirenses, eu incluso, nada estamos fazendo para tratar esses nossos concidadãos que tiveram a infelicidade de entrar nesse inferno, das drogas, e mais especificamente do crack. No outro dia, apareceu noutro programa de rádio (ou era o mesmo), um cidadão querendo se tratar, e o locutor, Wilson Furtado, colocou no ar onde havia um centro para internar ou tratar aquele cidadão, apareceram até do Rio Grande do Norte, mas de Cajazeiras mesmo, nada, até porque inexiste na nossa cidade alguma coisa que pelo menos indique onde esses podem ser tratados, agora discurso e projeto, não falta.

Já escrevi sobre isto, mas não custa voltar ao tema; o que a lei diz é para acabar com os traficantes, não que estes sejam gente boa, de forma nenhuma, são delinqüentes da pior espécie, mas há um inegável lado comercial, se fosse possível excluir todos estes, seria como cortar uma jurema sem arrancar as raízes, na próxima chuva ela vai vicejar com vigor redobrado; agora, se retirados os viciados da rua, este tipo de comércio, como qualquer outro, se acaba naturalmente por falta de clientes. Prender os traficantes, educar as crianças, agora, tratar os dependente químicos me apresenta o mais importante. Estes são os aviões (fazem o pequeno tráfico) fazem a propaganda (o marketing) das drogas recém-chegadas, e são os professores dos futuros viciados.
Mas um se acontecer uma situação semelhante (alguém que se vicia em drogas) em Sousa? No município do Lastro, vizinho a Sousa, tem uma fazenda que faz o necessário: tira do ambiente o dependente químico e dá outras opções, leitura, trabalho etc, Tem inclusive (não faltam exemplos) uma comerciante que tem um filho nessa situação que me confessou que o dinheiro que paga com mais satisfação é o do lugar que fica tratando o filho dela em Juazeiro do Norte, e são R$ 600,00 por mês.

Agora aqui, se alguém tiver a infelicidade de acontecer ter um parente ou ele mesmo se viciar em drogas, e não dispor de meios, os tratamentos disponíveis são rua, boca ou cadeia… Algo já precisava ser feito, e tarda! Se tratarmos adequadamente uns cem dependentes químicos, haveria uma grande diferença nesses zumbis da madrugada… Agora uma Sessão desse tipo, bem como outras manifestações que tratem do tema, a gente não pode dizer que não devam acontecer; elas são da maior importância, inclusive ouvi o que eu esperava de uma autoridade (se não me falha a memória o superintendente da Polícia Civil): Que a informação que aqui funcionam 500 bocas é exagerada. Pelo menos alguém põe uma verdade, frente a vários exageros, que apesar disso, nem tocaram a população para o problema, que é gravíssimo, e de concreto nada acontece, todos nas ficam naquela omissão quase criminosa, fingindo que nada tem a ver comigo, isso é lixo, ou caso de polícia; o popular descaso, e como dizia minha mãe, que hoje é nome de teatro, “de omissão em omissão se chega ao inferno”, e esse é um dos piores. Temos de começar a agir, e o quanto antes.

Fiz meu discurso; mas palavras são apenas palavras…

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