O Parque Maia é melhor que a Disney

Viajamos para Orlando para ver o templo da diversão bem ao espírito da cultura de massa. Para falar mal ou bem, chego para conferir.

Alugamos um carro e estou dirigindo. As estradas são muito boas. A conservação de suas margens através de podas é elogiável. Rodovias de sentido único. Confirma-se: só carrão, para deixar de boca aberta os que são fãs de automóveis. Para mim, se for econômico e tiver conforto mediano, qualquer prazer me satisfaz.

Comércio ao longo da estrada, bem como postos de gasolina, são poucos. Mas tudo organizado. Para abastecer o carro foi um problema. Acostumado no Brasil em que todos os postos tem frentistas e, de repente você que tem que se virar, aí o bicho pega. Na própria bomba você insere o cartão de crédito para liberar o abastecimento. Quero completar o tanque. O que faço? As vezes um detalhezinho, se passar despercebido, já era. Tivemos que recorrer ao funcionário da loja de conveniência.

Alugamos uma residência num condomínio. É um local muito bom, tranquilo, organizado, conservado. Tudo é padronizado: a arquitetura das casas, as lixeiras, as caixas de correspondências, a cor, o corte do gramado. Há bastante verde, o que deixa o ambiente mais agradável ainda.

Paramos num semáforo e vi dois pedintes de cor branca com placas seguradas a altura do peito, escritas: “hungry/com fome”. Os muitos brasileiros que viajam por essas bandas costumam postar fotos lindas nas redes sociais, mas não registram a miséria que também tem aqui.

Em um bairro próximo ao aeroporto de Orlando vejo uma favela. É verdade que não é bem escrachada como as que vemos por aqui no Brasil. Mas miséria é miséria em qualquer canto, como fala a música dos Titãs.

Na frente de um supermercado uma senhora aparentando sessenta anos ficou próximo a terminal de banco e pedia dinheiro insistentemente aos que iam sacar.

Não me lembro mais onde li, mas os EUA têm cerca de quarenta milhões de pobres, mesmo com toda sua riqueza. A classe média brasileira invade com gosto de gás os muitos e grandessíssimos parques da Disney. A todo momento você ouve alguém falando o português brasileiro.

Os parques são cidades projetadas com todo tipo de diversão com temáticas principalmente da cultura consumista americana para deixar deslumbrada a massa de turistas do mundo inteiro. E eles conseguem! Num Parque em que fui informaram-me que neste dia havia cinquenta mil turistas. Tinha dezoito guias brasileiros espalhados nesse parque que fomos.

Depois de frequentar e observar várias atrações o dia inteiro percebi a dimensão desses espetáculos, dessas diversões. Não me seduzem. Explico. Esse espírito de diversão todo está numa das localidades de meu cérebro já preenchido com os parques Maia e outros que circularam por Cajazeiras e os muitos circos de minha infância. Para os que frequentam a Disney devem morrer de rir e sentir dó de mim com essa explicação. Mas o que fazer? Tenho a capacidade de compreender o entusiasmo dessas pessoas. Espero, ou não, que elas me entendam.

Depois de presenciar tudo isso em Orlando, concluo: vá a Orlando/Miami, mas não me chame. Agora, se for para Nova Iorque, aí, sim, me chame que eu vou. Quero conhecê-la.

Ufa! Encontrei o jornal New York Times.

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