Diário de Férias 2019-2020: as sandálias do pescador… de cerveja

IMAGEM ILUSTRATIVA
AM3 – 250×250

Deixei para comprar em João Pessoa um par de sandálias. As minhas já estavam gastas em trilhas brasilienses em seus quatro cantos retilíneos.

Fui num shopping lotado de gente que gastava sola de calçados em presentes natalinos. Jesus não tem ideia do quanto se gasta em seu nome aqui na Terra.

Mal encostei na vitrine e a vendedora já apareceu mais solícita do que candidato político em tempo de eleição. Me engracei por um par e começamos a negociação.

Era a sandália que eu queria. Sem a sofisticação da que a vendedora queria me empurrar. “Não, querida, é uma sandália para frequentar os bares das praias”.

O valor era de noventa e nove reais. Nunca entendi essa lógica de número não arredondado.

– A crédito é quanto?

– Noventa e nove Reais.

– E no débito?

– Pode ser noventa e cinco Reais.

– E no dinheiro ao vivo?

– Noventa Reais.

Pensei: lucro de dez reais. Já dá uma cerveja. Maurinete, minha esposa, foi comprar coisas caseiras. Fiquei no pé para saber se tinha desconto no mesmo esquema das sandálias. Seriam mais cervas. Afinal, de cerva em cerva a galinha enche o papo.

Chegamos em casa e Maurinete me pediu para ir ao supermercado comprar carne. Empolgado já cheguei perguntando ao açougueiro o preço tripé: a vista, débito ou cash.

Como a carne hoje está a preço de ouro vislumbrei que arrastaria pelo menos umas três cervas.

Constatei que a bendita carne está realmente a peso de ouro. O açougueiro não negociou nada! Nem uma piriguete salvaria. Até mesmo uma Antártica, a que menos gosto. Eu faria o sacrifício se fosse o caso.

Ah, se carne fosse sandálias, o brasileiro estaria fazendo churrasco todo dia.

Conclusão: o atual problema do Brasil não está em andar sobriamente calçado. Está em deixar o estômago roncando com saudades de carne.

Em tempo. As Sandálias do Pescador é um livro escrito por Morris West que virou best-seller em 1963.

ELIANE BANDEIRA

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