Dia de Finados

A COLUNA DE RAFAEL HOLANDA

Naquele túmulo repousa alguém que em vida me fez tanto bem. Foi responsável por mostrar as estradas sinuosas que iria compor a minha vida, e por suas mãos eu soube como chegar.

Naquele túmulo repousa parte do meu eu, daquele que inspirou a arte de viver em paz, de trazer verdades pelos caminhos e nunca deixar que eu fosse sozinho, e por seus passos eu caminhei.

Resta agora à saudade, de um adeus ao grande amor, que se encontra em lugares mais elevados, pois os deuses vieram até a mim, contaram a sua alegria espelhada em um lugar sagrado.

Eu não o verei mais, mas quando as chuvas passarem sobre a minha cabeça e o trovão ressoar, eu irei orar e direi: Esta é a voz do meu amor distante.

Quando o outono chegar, e as flores caírem e os furtos brotarem eu direi: este é o milagre do meu amor distante.

Do nascer do sol, e ao poente, do fulgir do vento ao frio de inverno, eu irei orar na certeza absoluta de que esta é mais uma ação do meu amor distante.

Quando os pássaros cantarem a sinfonia do amanhecer e o grilo usar de seus barulhos para embelezar a luminosidade do sol eu irei orar: Esta é a voz do meu amor distante; este é o rasto de sua alma.

E enquanto a vida nos fizer viver, as belas recordações também viverão, pois fazem parte de nós, quando oramos pelo nosso amor distante.

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