O bolsa família e a classe média

TATYANA
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Bolsa-Familia-2011

A maioria das pesquisas aponta a reeleição de Dilma como certa ainda no primeiro turno. É verdade que é muito cedo, pois falta 1 ano para as eleições. Mas eleger-se no primeiro turno, ou mesmo liderar as pesquisas com mais de 50% das intenções de voto a 12 meses do pleito é um termômetro importante de avaliação popular sobre o atual governo. Significa que a estabilidade econômica e os investimentos recentes em educação, saúde e infra-estrutura – ainda que estes não tragam resultados imediatos – são reconhecidos pela maioria. E governo bom é aquele que trabalha para a maioria. E que ninguém venha dizer que Dilma será reeleita por causa do “bolsa família”. Ter a preferência de mais de 50% dos eleitores significa obter pelo menos 70 ou 80 milhões de votos. O bolsa família pode render no máximo 10% disso. Antes de ser eleitoreiro, o programa bolsa família distribui renda e dinamiza a economia de muitas vilas e pequenas cidades que já teriam desaparecido do mapa por falta de mercado consumidor. E este programa, na sua origem, não foi criado pelo PT, e sim pelo PSDB, com outro nome, mas que hoje o condena. Vai chegar o dia em que não precisaremos manter programas assistenciais – que alivia de imediato parte dos males da pobreza extrema – mas que, por enquanto, infelizmente ainda se faz necessário.

E, quanto à parte da classe média que é contra o programa? – ou classes B e C – Esta aumentou em tamanho e em poder de compra, mas muitos de seus integrantes não gostam das novas companhias, de dividir espaço com quem emergiu da parte inferior da pirâmide social. Apesar de estarem comprando carros cada vez mais caros, (o segundo… o terceiro, muitas vezes), viajando cada vez mais para o exterior e terem aumentado seu poder aquisitivo de forma geral, esses representantes do pensamento facista/conservador, ainda não perderam a mania de reclamar de barriga cheia, do PT ou de quem esteja no governo. E vão continuar reclamando por um bom tempo, se fazendo de surdos e de cegos, dando de ombros para benefícios coletivos com os quais não se identificam, não se sentem público alvo ou acham que não necessitam. Mas isso é pensamento de quem não quer fazer parte da maioria e muito menos reconhecer que Shoppings, Aeroportos e principalmente, Universidades públicas, agora não são mais exclusividades deles ou dos seus filhos. Já tem muitos “filhos do bolsa família” frequentando as escolas técnicas federais (que nos últimos anos tem se multiplicado pelo interior) e faculdades públicas (ou particulares, através do FIES e PROUNI), e estes, amanhã, certamente não necessitarão de “bolsa qualquer coisa” para criarem e educarem seus filhos. A insatisfação dos mais mesquinhos da classe média reacionária talvez esteja justamente aí: ver seus filhinhos brancos começarem a dividir os mesmo espaços com aqueles que, em outros tempos, continuariam à margem da sociedade e das oportunidades.

Enfrentando a ira e o preconceito, os jovens pobres e/ou negros estão aos poucos, ocupando seu lugar ao sol. E as mudanças estruturais que vem ocorrendo a partir do plano real e da política social implantada pelos governos federais nos últimos 12 ou 15 anos,  tem muito a ver com isso. Daqui duas ou três décadas,  poderemos ter um “filho do bolsa família” nos diversos escalões da administração federal, ou quem sabe presidindo Instituições como Governo Federal,  STF ou  Congresso Nacional. Consequentemente, a mão-de-obra semi escrava da qual por tanto tempo os mais abastados se serviram, irá desaparecer, para desespero desses facistas que se dizem democráticos, herdeiros do pensamento de uma elite hipócrita que forjou, ao longo de séculos, os políticos e empresários que ainda dominam a economia e as comunicações e que criaram uma sociedade segregada, um verdadeiro apartheid em que a exclusão social é a consequencia última – e mais visível – dessa nefasta relação entre dinheiro e poder.

DERMIVAL MOREIRA É BANCÁRIO E LICENCIADO EM GEOGRAFIA PELA UFPE
ELIANE BANDEIRA

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