Dei uma volta ao passado…


Clemildo Brunet

Aproveitei esse período considerado por muitos como férias, para um périplo visitando alguns amigos em lugares distintos onde estão residindo. O primeiro a me receber em sua casa foi Otacílio Trajano, Pude sentir o quanto foi saudável, pois além do bate papo descontraído, nos foi possível relembrar as doces aventuras da Rádio “A Voz da Cidade” e do Serviço de Alto Falantes “Lord Amplificador”, ouvindo também as músicas da sua discoteca que nos fez regressar aos velhos tempos e as reminiscências desses veículos de comunicação.

Otacílio Trajano é irmão do saudoso Zeilto Trajano, dois confrades que se dedicaram de corpo e alma a comunicação, assim como eu. Tivemos o privilégio de acolhê-los quando do início da nossa pequena emissora em Pombal nos idos de 1966, ‘A Voz da Cidade’ que logo em seguida teria o seu potencial reconhecido como escola do rádio, exportando profissionais que mais tarde brilhariam no meio radiofônico paraibano e quiçá em outros Estados da Federação.

Expresso do recôndito do meu coração os meus sinceros agradecimentos ao amigo Otacílio Trajano e a sua esposa Luziene, pela forma como fomos bem recebidos e tratados no período que estivemos em sua casa. Ambiente maravilhoso, aprazível, lindo, aconchegante. Lugar privilegiado dos (deuses) diriam os gregos; localizado numa elevação com uma varanda esplêndida no 1° andar, de onde se podem ver as praias paradisíacas do litoral sul da Paraíba, com suas exuberantes belezas e lindas paisagens.

No domingo a convite de Otacílio Trajano visitamos a Rádio Comunitária FM de Jacumã onde ele tem um programa pela manhã, ocasião em que concedi entrevista e relembrando os tempos áureos do início de nossas atividades na comunicação. Despedimo-nos e seguimos em frente para visitar outro amigo que já aguardava nossa chegada a sua casa no Bairro dos Estados. Adivinhem? Paulo Abrantes, meu amigo de infância, que em companhia de sua esposa Ana Rosa, nos deu bondosa acolhida pelo restante daquele dia. Regressamos a Pombal na segunda feira.

Já agora em março visitamos outro conterrâneo amigo e contemporâneo da radiofonia pombalense, Massilon Gonzaga, que pela sua modéstia não ostenta orgulho nem a vaidade de dizer que é Professor da cadeira de Radio-jornalismo da UEPB, prefere mesmo ser chamado de Nego Massilon ou forrozeiro Massilon. Em sua chácara no “Pé da Cajarana” no município de Campina Grande, fez questão de fazer um documentário de minha vida profissional em vídeo, intitulado “Memória Radiofônica” – para a Biblioteca da Universidade Estadual da Paraíba–UEPB. Fomos nós para entrevista tendo como estúdio improvisado a sombra do frondoso Pé da Cajarana, lugar tranquilo e saudável, quase semelhante, salvando as devidas proporções, ao que eu disse sobre o lugar onde Otacílio Trajano reside.

Fiquei deveras surpreso com a boa vontade do meu amigo Massilon Gonzaga em querer registrar em vídeo um apanhado histórico de minha vida no rádio. Ainda relutei dizendo que minha história no rádio já estava nos escritos, no entanto, ele foi enfático: “sim, mas, não existe ainda essa sua história em audiovisual – você falando e sua imagem sendo captada simultaneamente”.

Aceitei o desafio!
Tendo encerrado a entrevista, fomos fazer outra gravação em vídeo, agora invertendo as posições; passei a ser o entrevistador e Massilon Gonzaga o entrevistado. Ele falou sobre sua vida desde o início na comunicação, tendo começado suas atividades na Rádio “A Voz da Cidade” e no Serviço de Alto Falantes “Lord Amplificador”, passando pelo seu ingresso nas emissoras de Campina Grande, Curso de Comunicação como aluno e Professor da UEPB e finalmente sobre sua tendência para o forró “Pé de Serra”.

Carregando dentro de si a verve de locutor, poeta, compositor e cantor, eu diria que Massilon Gonzaga de Luna, tornou-se um forrozeiro autêntico gravando suas próprias músicas e criando sua própria banda da qual ele mesmo é o maestro – Banda Ariús de Campina Grande.

Depois de editado em vídeo o documentário, ele me mandou uma cópia das duas entrevistas, que vou guardar como uma relíquia em meus acervos e mostrar aos amigos que queiram compartilhar comigo, raras alegrias de nossas vidas.

Só assim mais uma vez dei uma volta ao passado…

No Comment

Leave a reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *