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Decepção e tristeza

Por oito anos eu fiquei a ter uma certa admiração pela forma com que Ricardo Coutinho governava a Paraíba, sem fazer concessões aos políticos paroquiais, criando o chamado orçamento democrático”, em que a população ou parte dela era reunida e escreviam suas prioridades, e não determinado chefe político se encarregava e de informar o que ele achava o que era prioridade, ou seja, sem entrar no varejo das concessões aos políticos paroquiais, fazendo obras, e obras que impressionavam pela qualidade dessas, como a Escola Técnica Estadual, um primor de escola, as estradas estaduais em um estado de conservação que invejavam os os outros estados, os pagamentos no mês trabalhado, entre outras coisas completamente diferentes do modo de se fazer política em nosso estado, por último, ele praticamente “reconstruiu” o Teatro regional que leva o nome de minha mãe, Íracles Brocos Pires, e ficou um teatro que podia ser considerado um dos mais modernos da região. Assim, e por outros motivos a administração Ricardo Coutinho se destacava até em termos nacionais, visto que nos tempos do candidato Eduardo Campos, ele apresentou o projeto “Cidade madura” como exemplo de obra para a terceira idade ser contemplada.

Nosso Estado sempre foi pobre e dependente de verbas Federais, como também, um “estado curraleiro”, isto é: dependente das arrecadações dos postos de fronteira, pois aqui praticamente inexistem minérios, indústrias ou outros ativos dinâmicos capazes de criar riquezas, tal como existem em São Paulo, ou uma agricultura significativa, como no Centro Oeste. Dependemos de nosso parco consumo para gerar verbas e essas muito mal dão para o Estado sobreviver, diferentemente dos nossos vizinhos tanto do norte, Com seu petróleo e a “shellita”, matéria prima do tungstênio, como das diversas indústrias de Pernambuco. Mas esses mesmos estão em crise, e a Paraíba, com todos as duas deficiências, vivia numa aparente prosperidade. Eu julgava na época, que seria uma administração diferenciada, e nisso era seguido pela maioria dos eleitores de nosso estado, que elegeram em primeiro turno, uma pessoa desconhecida da política para suceder Ricardo Coutinho.

Agora com os resultados da Operação Calvário, e a robustez das provas coletadas, de grande administrador, nosso ex-governador se transformou, como num passe de mágica, de um grande administrador, numa grande decepção, e seu governo, eivado de desvios de dinheiro quase inacreditáveis, num governo corrupto.

Assim, eu mesmo me sinto como que traído por quem comandou essa máquina administrativa que desviava recursos. Pois a corrupção, é o crime mais odioso, quando se desvia dinheiro do povo, se morre gente na saúde pública, a educação perde qualidade, comprometendo o futuro do estado e a Segurança Pública fica mais fragilizada. Em benefício de alguns, todo o povo perde.

Espero sinceramente que exista uma defesa, para tal situação, e que ele possa ser inocentado, mas como está agora, de alguma forma eu me sinto, repito, naturalmente sendo verdadeiras as acusações, pois podem ter sido desviados verbas do teatro que leva o nome de mina mãe. Como ela se sentiria no lugar onde ela está agora, ao ter conhecimento que foram desviados recursos que iriam para o teatro?

Até os mortos devem estar sentindo desconforto.

P.S. – Dedico essas mal traçadas e um amigo dileto que nos deixou hoje, Raniere do Fisco, Inteligentíssimo, uma das poucas pessoas dessa cidade com quem eu discutia Camões ou Dante. Além disso, foi casado durante muito tempo com uma parenta querida Sarinha de Marilda. Que o chão lhe seja leve.

Por PEPÉ PIRES FERREIRA

Engenheiro mecânico e advogado.

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