Joaquim Gonçalves de Matos Rolim, o Coronel Matos


Joaquim Gonçalves de Matos Rolim (Coronel Matos), nasceu em Lavras da Mangabeira, em 4 de julho 1868, vindo para Cajazeiras com 12 dias de nascido e no dia 26 de julho de 1893, com 25 anos de idade, casou-se com a cajazeirense Maria Idalina de Albuquerque Cartaxo (Sinhazinha), de 17 anos de idade, filha de Emídio Emiliano do Couto Cartaxo e Idalina Felinta de Albuquerque. O Coronel Matos era bisneto de Vital de Sousa Rolim, fundador de Cajazeiras.

Deste casamento do Coronel Matos com Idalina nasceram seis filhos: Adalgisa Matos de Sá, Ceci Matos Brocos, Cíntia Matos Mendonça, Rosa Matos Braga, Dr.Celso Matos Rolim e Idalina Matos Cartaxo (Ilina).

O Coronel Matos, no dia 2 de agosto de 1888, com a idade de 20 anos, abriu a sua loja na Rua Padre José Tomaz para depois se mudar para um outro local situado na Rua Estreita, hoje rua Coronel Juvêncio Carneiro, esquina com a Praça Coração de Jesus, que foi demolido, para permitir o alargamento da entrada naquela via pública.

Além das atividades comerciais, negociava também com algodão, comprando-o em caroço, que depois de beneficiado era exportado para Mossoró, em lombo de burros.

O Coronel Matos sempre evoluindo nas suas atividades comerciais, tornou-se, então, um dos mais conhecidos e acreditados comerciantes de Cajazeiras. Com sua extraordinária visão, foi o pioneiro da industrialização dos produtos e subprodutos do algodão nesta região. A Usina Santa Cecília, organização industrial fundada por ele, no ano de 1924, beneficiava algodão, fabricava óleo, sabão e torta de semente de algodão, em larga escala. Mantinha grandes relações comerciais com o exterior: Alemanha, Inglaterra, Dinamarca, França, Estados Unidos e México, além do mercado interno cujas negócios se ampliavam pelos Estados do Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco.

A crescente evolução financeira dos negócios do Coronel Matos tornou-o uma figura de destaque no mundo social, econômico e político de Cajazeiras, conhecido como o capitalista número um de nossa terra.

Com todos esses predicados , o nome do Coronel Matos foi o escolhido pelos correligionários do Partido Popular Cajazeirense, como candidato a prefeito, cuja eleição foi realizada no dia 9 de setembro de 1935, a primeira eleição direta do município de Cajazeiras. O mesmo foi eleito com 660 votos, contra seu opositor, Dr. Vital Cartaxo Rolim, que obteve 345 votos. Assumiu a prefeitura no dia 14 de dezembro de 1935. A oposição não se conformou e recorreu da decisão da Junta Apuradora Local e no dia 15 de janeiro de 1936, o Tribunal Eleitoral manteve a decisão da Junta Apuradora que diplomou o Coronel Matos como prefeito, eleito pelo Partido Popular Cajazeirense. O recurso foi interposto pelo Dr. Vital Rolim, candidato da Legião Católica, que alegou impedimento do Juiz de Direito Bel. Joaquim Victor Jurema para organizar as mesas eleitorais, por ser pai do candidato, Dr. Otacílio Jurema; ainda que o Padre Abdon Pereira, com apenas 18 dias de transferido não podia votar; que o Dr. Arnaldo Leite, na qualidade de parente do candidato a prefeito, não podia presidir uma mesa eleitoral e ainda, que o Coronel Matos era empresário e que este fato apresentava-o com vantagem sobre quaisquer outro candidato. No dia 31 de março o STE, não tomou conhecimento das razões alegadas, mantendo a decisão da primeira instância.

Acabada a eleição esqueceu todo o rancor da luta. Administrou a cidade sem ódios e realizou uma profícua administração, cujas obras destacam-se: reorganizou as finanças e crédito da fazenda municipal, amortizou a dívida pública, construiu um açougue público, uma obra monumental, orçada em 250 contos de reis. Calçou as ruas Padre Rolim, Vidal de Negreiros, Avenida Presidente João Pessoa e Padre José Tomaz e as travessas Santa Terezinha e Francisco Bezerra.

Em 10 de dezembro de 1937, Coronel Matos pede demissão do cargo de prefeito, sendo nomeado o seu filho o médico Celso Matos Rolim.

O Coronel Matos, sofreu um acidente, no dia 3 de fevereiro de 1940, na Avenida Atlântica, no Rio de Janeiro, atropelado por um automóvel, às nove horas da noite, quando tentava tomar um ônibus para se dirigir ao Hotel Castelo onde estava hospedado. Uma ambulância o transportou para o hospital, Miguel Couto, na Gávea, em estado comatoso. Depois foi transferido para a Casa de Saúde São Geraldo, onde faleceu, às cinco horas da manhã, do dia 5 de fevereiro, depois de receber os sacramentos do Padre Manuel Gomes, cajazeirense que residia no Rio de Janeiro.

O corpo do Coronel Matos foi translado do Rio de Janeiro, a bordo do Vapor Itaipé, no dia 11 de fevereiro. No dia 14, durante demora do Itaipé, no Porto de Salvador, o Dr. Bandeira de Melo, organizou homenagens fúnebres e foram celebradas duas missas em sufrágio da alma do falecido. No dia 16, o Vapor Itaipé atracou no Recife às sete horas da manhã e no dia 17, às dez horas da manhã, o cortejo chegou a Cajazeiras e seu corpo foi velado na Catedral. O sepultamento ocorreu no dia 18, depois da celebração de uma missa presidida pelo bispo diocesano Dom João da Mata Amaral para sem seguida ser sepultado no cemitério Coração de Maria, com o comparecimento de cerca de seis mil pessoas e inúmeras autoridades.

Os jornais da época publicaram que o Coronel Matos foi uma grande perda não só para a sua família mas para o município e o Estado e que era um expoente máximo de honra e operosidade.

Em julho de 1968, a cidade de Cajazeiras comemorou festivamente o Centenário de nascimento do Coronel Matos, dando-lhe o nome a uma praça e erguendo um busto em sua homenagem. Estas homenagens, mais do que merecidas, resgataram toda uma trajetória de luta, empreendidas pelo Coronel Matos na economia e na política, em defesa de Cajazeiras.

Uma grande parte do progresso de Cajazeiras, deve-se ao Coronel Matos.

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