Contribuição para a história de Cajazeiras

A COLUNA DE FRANCISCO SALES CARTAXO ROLIM

No dia 22 de abril termina o prazo para a entrega dos perfis biográficos dos Patronos da Academia Cajazeirense de Artes e Letras. Essa data foi definida na assembleia geral realizada em 17 de janeiro, no Espaço Cultural Zé do Norte. Com isso, finda a etapa da escolha definitiva dos membros fundadores da ACAL, pois a entrega da biografia do homenageado é requisito essencial para o ingresso naquela entidade artístico-cultural-científica. Esse tema aparenta ser coisa apenas de intelectual. Mas não é. Na verdade, o assunto interessa a círculo mais amplo e não somente a quem é ligado às letras e às artes.  A dimensão histórica e a abrangência da ACAL, por exemplo, extrapolam o restrito campo das letras, numa demonstração evidente da amplitude de seus objetivos.

A elaboração das biografias dos Patronos é um bom exemplo. Conhecemos pouco nossa história. O ensino ministrado nos centros educacionais é frágil, desde o mais simples nível de aprendizado até os núcleos superiores. Não vem ao caso procurar culpados. Muito menos lançar olhares enviesados para nossos heróis em sala de aula: as professoras e os professores. Em que a ACAL pode contribuir? Ora, as biografias dos Patronos, por mais singelas que venham a ser, servirão de instrumentos de trabalho nas escolas de todos os graus. Quem sabe, funcionarão como estímulo para debates acerca da história de Cajazeiras, sob ângulos variados de sua formação: econômica, cultural, religiosa, educacional, política.

As biografias serão publicadas este ano.

A composição dos Patronos, embora cheia de falhas, ajuda a alcançar-se objetivos dessa natureza. Basta examinar quantas figuras do passado, escolhidas para serem homenageadas, são representativas das origens da nossa formação histórica. Basta citar Mãe Aninha, padre Inácio Rolim, padre José Tomaz de Albuquerque, Antônio Joaquim do Couto Cartaxo, padre Heliodoro Pires. Este, para realçar o pioneirismo de tentar, com muita ousadia, escrever a biografia do padre Rolim.

No momento histórico seguinte, predominam entre os Patronos os educadores, associados ao viés religioso, queiramos ou não, forte marco da história de Cajazeiras. Daí a lista com personagens do calibre cristão (e poético) de dom Moisés Coelho, Crispim Coelho, Vitória Bezerra, Manuel Ferreira Júnior, Hildebrando Leal, Cristiano Cartaxo, padre Gervásio Coelho.

Nos meados do século XX, surgem com nitidez figuras que se firmaram como jornalistas, escritores, historiadores, políticos, educadores, já agora, ao lado de alguns percussores do movimento artístico-cultural. São representativos desse período histórico, os Patronos como Ivan Bichara, Otacílio Dantas Cartaxo, Antônio de Sousa, José Pereira, Francisco Cartaxo Rolim, Deusdedit Leitão, João Rolim da Cunha, Rosilda Cartaxo, Zé do Norte, Hildebrando Assis.

Mais perto de nossos dias, a preponderância de educadores religiosos (dom Zacarias, padre Vicente Freiras, padre Luiz Gualberto), características dos períodos iniciais, divide os espaços com agentes culturais, em especial no campo das artes, da música, do teatro, do cinema, do rádio, este como incentivador da diversidade cultural de nossa terra, incluindo a poesia popular de violeiros e cordelistas. Expressam esse clima figuras como Íracles Pires, Gerson Carlos, Mozart Assis, José Adegildes Bastos, Miguel Arruda, Geraldo Ludugero, maestro Rivaldo Santana, Lacy Nogueira.

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