Comissão da Verdade da Paraíba localiza inquérito da Bomba do Apolo 11


Bomba XI

Um dos maiores mistérios dos anos negros da ditadura militar na Paraíba pode, finalmente, ser revelado. A Comissão da Verdade da Paraíba acaba de localizar o relatório final do inquérito que investigou a explosão de uma bomba-relógio nas dependências do Cine Apolo XI, em Cajazeiras, em 1975.

O relatório foi encontrado no Arquivo Nacional, do Ministério da Justiça, em Brasília, há cerca de 10 dias, pelo representante do governo do Estado na Comissão da Verdade da Paraíba, advogado Waldir Porfírio. A investigação sobre o atentado à bomba em Cajazeiras é uma das prioridades da comissão criada pelo governador Ricardo Coutinho para esclarecer episódios do período da ditadura militar.

O material recolhido no Arquivo Nacional está com a professora Irene Marinheiro, coordenadora do grupo de trabalho encarregado de elucidar o caso da Bomba do Apolo XI. A informação é de que ela está lendo o documento e depois fará um relatório para ser apresentado publicamente.

O advogado Waldir Porfírio, que trouxe a documentação de Brasília, disse que não conhece o conteúdo do relatório, já que apenas o recolheu do Arquivo Nacional, e que a tarefa de estudar tudo sobre o tema é da professora Irene Marinheiro.

A localização do inquérito da bomba do Apolo XI, no entanto, é um avanço, uma vez que até agora diversos pesquisadores haviam tentado desvendar o assunto e não encontravam aos documentos referentes à investigação da Polícia Federal.

O arquivo Nacional, em Brasília, reúne documentos históricos desde o Império. Por determinação do Ministério da Justiça, o órgão está reunindo e digitalizando os documentos do período da ditadura militar para colocar à disposição da Comissão Nacional da Verdade e das comissões estaduais.

Sobre a bomba – O atentado aconteceu no dia 2 de julho de 1975, na plenitude do regime militar. O Cine-Teatro Apolo XI exibia o filme “Sublime Renúncia”. Relata-se que a película teria se partido em diversas oportunidades, tendo acabado a exibição antes do horário previsto. Por isso, quando a bomba-relógio explodiu o cinema estava quase vazio.

A bomba estava em uma pasta 007 encontrada, debaixo da cadeira onde o bispo, Dom Zacarias Rolim de Moura, costumava sentar. Ele era fanático por cinema e não perdia uma sessão. Mas, naquele dia, tinha viajado à tarde para Recife.

A bomba que explodiu no cinema matou duas pessoas e deixou outras duas feridas. Logo após o atentado, suspeitou-se do advogado João Bosco Braga Barreto, que era o principal político de oposição à época, e tentou-se responsabilizar os movimentos de esquerda que atuavam no Estado, entre outras linhas de investigação. A Polícia Federal (PF), no entanto, nunca deu divulgação ao resultados das investigações.

JOSIVAL PEREIRA PARA O GAZETA DO ALTO PIRANHAS

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