[CLEMILDO BRUNET] Napoleão: meu pai, o amigo


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Este segundo domingo de agosto, comemora-se o dia dos pais. Nada mais justo, que se homenagear personalidade tão importante no seio da família e da sociedade. O pai carrega sobre seus ombros a responsabilidade de inspirar confiança, afeto e proteção, aos que estão em seu convívio diário.

 

Cada filho pode ao sabor das comemorações desse dia, fazer uma reflexão do que seja essa figura que se chama pai e o que ele tem de tão importante e significativo para as nossas vidas. O meu, partiu para outra esfera quando eu tinha ainda 15 anos, não entendia direito das coisas e o que viria ser depois de sua partida.

 

Na peregrinação dos meus dias só eu sei o quanto meu genitor me faz falta! Foi-me tirada à oportunidade de uma maior convivência com ele. Entretanto, tenho certeza, que no pouco espaço de tempo que pude gozar de sua presença, mesmo com a minha pouca percepção de menino e adolescente, guardo na lembrança o quanto ele era afável, amigo e protetor da família.

 

Quem me dera ter palavras para descrever nos mínimos detalhes a figura ímpar de meu pai e quanto ele era motivo de minha admiração. Mesmo pequeno e franzino, olhava para ele, obeso, pois chegou a pesar 110 quilos, (naquele tempo era raro se vê pessoas gordas como hoje), não me aterrorizava, nem dava medo, pelo contrário, tinha-o na consideração de profundo respeito e amor. Sua estatura mediana, seu corpo volumoso, olhar circunspeto, para os que não o conheciam, causava a impressão de um homem muito fechado.

 

Não, não o era. Tinha muitos amigos e desfrutava de grande conceito nesta cidade, comerciante no ramo de panificação que até hoje os produtos de massa fabricados por ele, ainda são lembrados com sentimento de saudades. Em sua coluna “aos domingos” no Jornal Correio da Paraíba, do dia 11 de julho de 2010, a escritora Onélia Queiroga, escreveu um artigo em minha homenagem e no sexto parágrafo está assim: “Fomos contemporâneos da rua Dr. João Pessoa, em Pombal. Saboreamos as mesmas iguarias: O pão francês, o célebre pão doce e a gostosa bolacha peteca, fabricados, com receitas únicas e inigualáveis, até hoje, na Padaria do seu saudoso pai Napoleão Brunet.”

 

A minha prima Maryloide Brunet, que reside em Recife Pernambuco, casada com Rubem, Coronel reformado do exército brasileiro; em um comentário, nos mostra como era o meu pai até mesmo nas horas das refeições, quando alguém lhe comunicava da sobremesa que ia ser servida. É ela quem conta:

 

“Clemildo tenho uma história para contar do seu pai: Por ocasião das férias eu gostava de me hospedar em sua casa e um dia resolvi que ia fazer um pavê de castanha para o almoço, para minha surpresa quando perguntei se ele queria, respondeu” sirva logo todo o mundo e depois passa o pirex para cá, porque eu vou comer a metade. Rimos muito e assim foi, depois que coloquei a porção de cada um ele se apossou do pirex e comeu ali mesmo e era mais que a metade. Quando eu perguntei se ele gostou, ele respondeu prontamente “Se gostei? Amanhã pode fazer mais!” Aí então, eu fazia sempre algo diferente e ele se admirava porque eu sabia fazer tanta coisa gostosa.

 

Lembro que ele não andava na calçada, andava sempre no meio da rua. Lá da porta da sua casa, a gente o via saindo da padaria em direção a casa, lá vinha ele remando pelo meio da rua e os carros respeitavam e paravam para dar passagem a ele.

 

Pessoas honestas nunca ficam ricas. Assim foi ele e o meu pai. Tinham o que herdaram e só. “Mas podemos nos orgulhar da honestidade e honra que eles tinham.” Abraços de MaryLoide.

 

Não tenho mais meu pai, no entanto, nesta data quero externar a minha gratidão por este dia especial, dedicado aos pais em geral, lembrando aos filhos de hoje o como é bom ter um pai e ver no caráter e na virtude que lhe são peculiares, o respeito e o amor que ele tem pelos seus filhos. Porque pai é ser amigo.

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