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Centenário de Hildebrando Assis

POR GUTEMBERG CARDOSO

“O advogado das causas artísticas e culturais dos sertões da Paraíba”

GUTEMBERG CARDOSO

Hildebrando Assis (1920-2003) um homem que viveu além do seu tempo. Uma figura ímpar de personalidade altruísta um mantenedor da arte e da advocacia nos sertões da Paraíba. Um humanista com uma visão holística, que auto se intitulou defensor ferrenho das causas culturais de Cajazeiras e do sertão. Era um amante das letras e da advocacia e tinha o dom de atuar brilhantemente nesses dois universos. Pois, ao tempo em que desempenhava seu papel de advogado, também atuava como patrono da cultura e da arte e também fazia cultura.

Hildebrando Assis, apesar de ter nascido em cidade de São José de Piranhas, viveu sua infância e juventude na cidade de Cajazeiras, terra que ele adotou como se fora sua terra natal e onde bebeu nas fontes da educação, fé, cultura e arte.

Assim como o Padre Rolim ele foi mandado pelos pais para fazer faculdade na cidade de Recife, onde lá se tornou bacharel em Direito. Recusou propostas de ficar na Veneza Brasileira e foi Cajazeiras que ele escolheu para ser palco de suas lides jurídicas, culturais e teatrais.

Hildebrando foi considerado um dos maiores teatrólogos de sua época, tão importante como foi Ica Pires, Geraldo Ludgero, Eliezer Rolim e Ubiratan de Assis. Ele era um Dínamo no teatro pois escrevia, dirigia e atuava como ator nas várias montagens que protagonizou. Advogado das artes, um titulo que lhe fazia jus, já que ele buscava com afinco as melhorias em beneficio dos artistas e da arte de Cajazeiras, São José de Piranhas e do sertão.

Em Recife ele não só adquiriu conhecimentos jurídicos, mas também transitou e colheu enorme bagagem cultural notadamente no campo teatral. Sempre com ideias inovadoras ele conseguiu revolucionar no sertão.

Hildebrando foi um dos percursores na luta em prol da construção de um teatro em Cajazeiras que servisse de amparo no sentido de que a artes cênicas tivessem seu espaço e os artistas não precisassem mendigar em outras cidades um lugar para expor suas atividades dramáticas.

No dia 1º de agosto de 1953, Hildebrando teve seu sonho realizado pois era inaugurado o primeiro teatro de Cajazeiras e com imensa alegria ele pode apresentar a peça inaugural de sua autoria e sob sua direção com o titulo O HOMEM QUE FICA.

Essa com certeza foi uma noite de glamour em Cajazeiras que aconteceu na sede do já extinto Cine Éden palco de grandes filmes.

Fazendo uma analogia, é possível se dizer que Hildebrando Assis esta para Cajazeiras no que concerne a arte e cultura, como o padre Rolim está para a educação e a fé, pois enquanto um fez a cidade se tornar polo da educação regional e ser conhecida como a cidade que ensinou a Paraíba a ler; o outro fez com que ela ficasse conhecida internacionalmente no cunho cultural.

Como não poderia deixar de ser, Hildebrando também tinha seu lado boêmio e apaixonado pela vida.
Na faculdade ele descobriu seu refinado gosto pela leitura e pela musica e seu livro de cabeceira era Don Casmurro uma obra de machado de Assis.

Ele costumava dizer que quando precisava relaxar ouvia Beethoven, porém quando ia paquerar o repertório era da musica popular brasileira e ouvia cantores como Ary Barroso, Nelson Gonçalves e tantos outros.

Hildebrando também se destacou no cenário político nacional, mesmo contrariando seu tio Tota Assis que afirmava categoricamente que por ele ser um jovem de conduta ilibada jamais se envolveria da em politiza partidária. Hildebrando foi prefeito de Cajazeiras por dois curtos períodos nomeado pelo interventor da Paraíba no Estado Novo e foi um deputado estadual atuante autor de 36 projetos relevantes onde 5 foram em favor de Cajazeiras.

Hildebrando era conhecido por todos como um sujeito irrequieto, perspicaz e dinâmico e foi de maneira proativa que ele se destacou em diversos cenários profissionais como:

  • Presidente do clube 8 de maio (depois foi nomeado 1º de maio);
  • Levantou a bandeira na luta para transformar a fazenda Cajazeiras morada da família de Padre Rolim num complexo de lazer festivo e de esportes o hoje Tênis Clube;
  • Nos anos 70 já morando em João Pessoa, Hildebrando fundou e dirigiu o setor de Artes da UFPB;
  • Trabalhou na antiga SAELPA como assessor jurídico;
  • Foi presidente da FUNCEP – Fundação Cultural da Paraíba entre tantas outras brilhantes atuações.

Hildebrando Assis era casado com Maria Mercedes Leite com quem teve dois filhos, Hermano Leite Assis – musicista e Mauro Leite de Assis- engenheiro civil. Hildebrando faleceu no dia 22 de outubro de 2003 na cidade de João Pessoa onde morou por vários e bons nos de sua vida. Se eternizando por sua marca indelével e deixando um legado de luta e Resiliência e amor as artes.

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