Cajazeiras tem 200 pontos do jogo do bicho


O jogo do bicho, apesar de olegal, funciona normalmente na Paraíba, com até cinco sorteios realizados por dia. A estrutura disponibilizada pelas bancas e o total de pessoas envolvidas são desconhecidos, segundo os órgãos do governo. Mas nas ruas dos municípios paraibanos, a tradição de apostar nos 25 bichos gera renda para milhares de “bicheiros”. Mesmo irregular, a prática inovou e as apostas já são feitas eletronicamente.

O superintendente da Loteria do Estado da Paraíba (Lotep), Fábio Carneiro, afirmou que o órgão não tem mais vínculo com as bancas de jogo e que todas funcionam na clandestinidade. Ele disse que a proibição irá causar prejuízos se as bancas forem fechadas, mas afirmou que o órgão cumpriu as determinações da Justiça e cancelou o credenciamento das empresas que tinham autorização para atuar nos jogos oficiais do governo, mas que também comercializavam o jogo de azar.

Em Cajazeiras, existem quatro bancas, que juntas, contam com cerca de 200 pontos espalhados pela cidade. Todos os proprietários alegam possuir o ‘credenciamento’, cedido pela Lotep, para que possam funcionar e que ainda pagam para se manter em atividade. “Eu tenho a banca há mais de dois anos e tenho o credenciamento da Lotep para funcionar. Pago todos os meses R$ 1.060 para Lotep também meus cambistas conseguem mais de dois salários mínimos ao mês por conta da produção deles”, explicou o proprietário da banca Ouro Verde, Jaime Firminio.

Mesmo sabendo dos perigos que correm ao apostar em jogos ilegais, muitos sertanejos preferem ignorar a situação e investir na ‘sorte’. O técnico em eletrificações João Rodrigues de Lima é um dos maiores apostadores de Cajazeiras e em mais de 30 anos, só consegui ganhar uma vez, um prêmio de R$ 825. Ele se considera um jogador viciado e não consegue controlar o desejo de apostar em um dos 25 bichos da tabela.

“Eu jogo muito, demais, jogo todo dia, dinheiro que adquiro com meu salário e não me arrependo não. Sei que é complicado, mas isso é uma diversão também. Já me acostumei a fazer as apostas. Conheço muita gente que joga porque não tem empregos, não tem salários. No meu caso é diferente, eu tenho emprego, salário todo mês, mas mesmo assim, eu não resisto ao jogo do bicho e jogo cerca de R$ 120 ao mês”, desabafou.

Com reportagem de Álisson Arruda e Daniel Motta no Correio da Paraíba

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