Cajazeiras em festa

A COLUNA DE FRANCISCO SALES CARTAXO ROLIM

COISAS DE CAJAZEIRAS
ESCRITOR FRASSALES CARTAXO E JORNALISTA NONATO GUEDES / FOTO: CHRISTIANO MOURA

Cajazeiras está em festa. Lá estive de domingo a domingo. Participei das comemorações alusivas à emancipação política do município e ao aniversário do padre Inácio de Sousa Rolim. E também de novas homenagens Ivan Bichara Sobreira. A cidade atraiu muita gente para confraternizações dançantes, a feijoada da amizade, inaugurações, papo, cerveja e cachaça. Havia presenças ilustres, – o presidente da Academia Paraibana de Letras, Damião Ramos, e José Octávio de Arruda Mello, do Instituto Histórico da Paraíba -, ambos, participantes ativos de eventos culturais, incluídos na programação oficial da prefeitura municipal.

Um filete de água suja não chegou a contaminar o ambiente festivo em Cajazeiras: a prisão preventiva do radialista cajazeirense Fabiano Gomes, na capital paraibana, confirmada em audiência de custódia.

Cajazeiras está em reboliço

Reboliço arretado. A cidade vive inusitada agitação cultural, conduzida pelo secretário municipal de cultura e turismo, Ubiratan de Assis. Exótica figura, de barba e longos cabelos, me fazendo lembrar o ator francês, Gérard Depardieu.

A atmosfera de festa se amplia graças ao trabalho do prefeito José Aldemir. Por que agora o dinheiro rende mais? Produz resultado para a maioria. Cajazeiras começa a exibir aparência nova. Ruas pavimentadas com asfalto e paralelepípedos. Praças requalificadas. Há expressivas ações no campo da saúde, do acolhimento aos moradores de rua, na atenção aos pequenos empreendedores, na construção de novos conjuntos habitacionais. Ufa, quase esqueci a instalação, paulatina, do museu histórico de Cajazeiras!

Parece um casamento.

Tudo isso ocorre em paralelo à mais ampla movimentação artística e cultural de que se tem notícia em nossa história, abrangendo festival de cinema, shows musicais e de dança, apresentação de peças teatrais, no Teatro Ica Pires, na quadra de esportes ao lado do centenário casarão do major Epifânio Sobreira. Atividades literárias, poesia no coreto. Nunca se viu tanta coisa boa acontecer ao mesmo tempo em minha terra. Ao atrair grupos artísticos de vários lugares do Nordeste, Cajazeiras confirma a condição de polo sertanejo, cada vez mais regional. Casamento perfeito. Educação e cultura, aliada à ação profícua do poder público municipal, sob a liderança de um gestor sintonizado com interesses coletivos. E não só de grupo.

Ica, Deusdedit Leitão, Cristiano Cartaxo, Zé do Norte, Teté Assis estão rindo à toa, sob o olhar benevolente do padre Rolim. Cá em baixo, contendo-me em conversar com Nonato Guedes. Em meio à euforia do samba, amigos e feijoada, na Angélica Coelho Recepções, Nonato e eu, tivemos atentos ouvidos para 63 minutos de papo sério. De causar ciúme. Só nós dois, numa troca de impressões acerca da política paraibana de hoje e de ontem. Fatos de bastidores aflorados com naturalidade. Passamos a limpo um pedaço de nossa história.

Não desperdiçamos uma frase.

Era preciso. Nada como uma conversa com quem, no jornalismo e no exercício de cargos públicos de relevo na Paraíba, sempre pautou sua conduta em rigoroso padrão ético, sem a subalternidade delinquente de carregar malas de dinheiro em negócios escusos. Saí aliviado da acolhedora casa de eventos de Angélica Coelho. Aliviado a ponto de arquivar na lixeira a imagem daquele radialista cajazeirense que, lambuzado em mel, por vereda criminosa chegou à prisão. Justo no dia em que Cajazeiras festejava 218º aniversário de nascimento do padre Rolim.

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