Cajazeiras e o entrelaçamento das famílias


COISAS DE CAJAZEIRAS
AGOSTINHO OLIVEIRA DE SOUSA (FOTO: ACERVO PESSOAL)

Há poucos dias, recebi, assim como outras pessoas, das mãos do Dr. Ivan Cavalcante, um convite para a missa de 30° dia de falecimento de seu pai, que eu sempre conheci como Seu Agostinho, que aconteceria na Catedral, onde ele e sua esposa D. Terezinha moraram por décadas.

Um fato que eu apenas soube quando da entrega do convite missa, era que Seu Agostinho tinha sido pesador de Galdino Pires, não o alcancei nesse posto, que certamente serviu de esteio para que o mesmo, assumisse outras funções nas empresas de seu cunhado, José Cavalcante.

Eu o conheci como ‘o pai de Ivanzinho”, nosso contemporâneo de principalmente de farras. Depois, O conheci como gerente do Posto Santo Antônio, e me tratava muito bem, embora nunca tivesse me dito que havia sido pesador da firma, que era um posto chave numa algodoeira; um pesador se quisesse, poderia levar uma empresa a ter dificuldades, e eram os pesadores considerados pessoas muito fiéis aos patrões, pois levavam “cantadas” dos clientes para acrescentar no peso. Então sendo qualificado como pessoa de confiança por quem quer que seja, viveu sua vida decente e relativamente humilde, mas de extrema dignidade; mais uma perda.

Mas o que eu queria mês estender nessas mal traçadas, foi que como a nossa comunidade pode acolher as pessoas. Ele, de família certamente humilde, vindo do Sítio Patamuté, com sua descendência de Ivan Cavalcante, talvez o mais conceituado analista de nossa cidade, tenha sido como que homenageado por deixar nossa catedral lotada de gente, e de todo o tipo de pessoas, especialmente para mim, das mais conhecidas; assim, havia muita gente, nessa cerimônia.

Lá estavam uma amostra muito interessante da mescla das famílias, que compõem nossa cidade, estavam os Cavalcante, os Mangueira, a família de sua esposa Alcineide, e muito mais gente, que se reuniram para homenagear o falecido e sua descendência.

Também se encontravam lá, a família Moura, a família Coelho, pessoas dos Moreiras, e muitos amigos comuns de juventude, e de mais recentes tempos, finalmente e para falar dos de menos, eu.

Então vem a conclusão vendo tantos amigos, colegas e contemporâneos, dava para ter a impressão de que nós ainda vivemos numa comunidade, e essa pequena amostra dela, pode afirmar que não vivemos na pior cidade do mundo, que alguém pode se incluir nela e fazendo seu papel, por mais humilde que seja, pode receber o reconhecimento dessa comunidade, me veio à noção, de que apesar no mundo individualista e excludente de hoje, em que todos os dias se veem na Grande Mídia “o mundo se acabar” diuturnamente, nem tudo está perdido, e que até aqui em Cajazeiras, se pode ter uma vida, se você não quiser ser o dono do mundo, bastante satisfatória e até estimulante.

Nossa cidade, apesar de todas as semanas eu tecer críticas sobre ela, pode ser bastante acolhedora, e podemos inclusive prosperar, e criar nossa família num
ambiente saudável e estimulante.

Fica minha homenagem ao nosso cidadão que nos deixa.

P.S. Nesses últimos dias perdemos Nirinha de João Batista Rolim Lopes, que os conheci desde muito tempo, e Geraldo Batista do Supermercado, que também o conheci desde os tempos de seu pai Zé Batista. Agora é nossa geração que está se indo; espero que a gente demore mais um pouco, mas como disse minha tia avó D. Adalgisa Matos, com mais de 100 anos: “Todos os meus amigos já morreram”. Nosso tempo chega…

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