Brasil vai ganhar mais dois consulados dos EUA


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Os nordestinos estão indo cada vez mais à terra do Tio Sam. De janeiro a julho deste ano, o número de vistos emitidos para os Estados Unidos no consulado americano de Recife, procurado principalmente por requerentes dos estados do Nordeste, chegou a 52 mil, número que representa incremento de 10% em relação a igual período do ano passado. No caso do Ceará, que passou a contar em junho com uma ligação direta à cidade americana de Miami, a demanda também é crescente. Por enquanto ainda não há planos para a instalação de uma representação consular na Capital cearense. No entanto, mais dois consulados foram anunciados para o Brasil: um em Belo Horizonte e outro em Porto Alegre.

E para estreitar esses laços, com foco também nas oportunidades de negócios entre as duas partes e no intercâmbio cultural e educacional, o cônsul geral dos EUA no Recife, Richard Reiter, veio a Fortaleza em sua primeira visita oficial como ocupante do cargo, que assumiu em julho. Ontem, ele reuniu-se com o governador Cid Gomes, com o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, e com empresários locais. Na agenda de hoje, ele conhece o Porto do Pecém e a Universidade de Fortaleza (Unifor).

De acordo com o cônsul, o fortalecimento da economia do Brasil é um fator direto que influencia na elevação do número de visitas de brasileiros ao território norte-americano, mas existem outros elementos que justificam esse comportamento. “Ao longo dos anos, temos visto esse crescimento. Parece que ir aos Estados Unidos é um sonho dos brasileiros, de quem viaja pela primeira vez. Mas, também, faz parte do comércio bilateral, que está crescendo cada vez mais. Tem os empresários, tem também os estudantes que estão indo fazer intercâmbios por lá, tem muitos elementos”, aponta.

Reiter informou que, no ano passado, foram emitidos um milhão de vistos no Brasil. “É um número muito grande de pessoas viajando pela primeira vez. E tem que lembrar que o visto para turismo tem duração de dez anos”. O visto de turista para se visitar os Estados Unidos pode ser feito, hoje, nos quatro consulados do Brasil: em Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e Recife.

Demanda

Pela proximidade geográfica, este último costuma ser o mais procurado pelos cearenses. É também o que tem a menor demanda dos quatro. A média de solicitantes por dia no mês de junho, por exemplo, foi de 252 pessoas em Recife, enquanto que, em São Paulo, o número chegou a 2.533, no Rio a 928 e em Brasília a 460. O tempo de espera para agendamento é de dois dias.

O cônsul lembrou que estão sendo implantados dois novos consulados no País, um em Belo Horizonte e outro em Porto Alegre. Apesar da expectativa e até mesmo das tentativas de membros do governo estadual de trazer um consulado para Fortaleza, não há planos ainda de um posto vir para a Capital cearense. “Para a escolha destes locais, foram levados em consideração o potencial comercial, a demanda de vistos, onde é a maior concentração de população, enfim, é um conjunto de elementos”, esclareceu Reiter.

O aumento no número de consulados e a quantidade de vistos emitidos fazem do Brasil, ressalta o cônsul, uma das maiores missões dos Estados Unidos no mundo, atrás da Índia, da China e do México. Diante de tamanha demanda, já vem sendo discutido há algum tempo a possibilidade de extinção da exigência do visto para o Estados Unidos. Em relação a isso, o cônsul geral disse que o assunto “está sendo tratado em um nível mais alto”.

Não há novidades quanto a alguma evolução nesse processo, mas ele garante que o tema continua em pauta no alto escalão dos dois países, uma vez que esta é uma definição bilateral: assim como os brasileiros precisam de visto para entrar nos Estados Unidos, os americanos também precisam para vir ao Brasil.

Mais estudantes nos intercâmbios

Uma população que vem crescendo significativamente nos Estados Unidos é a de estudantes brasileiros, puxada especialmente pelo programa federal Ciência sem Fronteiras, que teve anunciado recentemente sua segunda etapa, com 100 mil novas bolsas de estudo no exterior. De acordo com o cônsul geral dos EUA no Recife, Richard Reiter, existem 20 mil brasileiros estudando em mais de 200 universidades nos Estados Unidos.

A partir deste mês de agosto, o consulado em Recife estará emitindo três mil vistos para os universitários nordestinos estudarem nos Estados Unidos. “Esse número é incrível. Eles estão ganhando novas experiências, é uma onda de poder intelectual que vai voltar ao Brasil e poder transformar a economia aqui. Também é bom para o meu país essa troca de ideias, o intercambio cultural. Esses universitários são muito bem vindos”, afirmou.

Reiter destacou ainda que os consulados americanos no Brasil, assim como a embaixada em Brasília, vêm colaborando com o governo brasileiro para facilitar o processo. “Entendo que é um programa caro (para o governo brasileiro), mas vale a pena”. Para tratar do assunto, o cônsul visita hoje a Universidade de Fortaleza (Unifor).

Relações comerciais

O Ceará vendeu, no ano passado, US$ 260 milhões aos Estados Unidos em produtos. No caminho inverso, importou, em mercadorias, outros US$ 460 milhões. Com a visita ao Estado, o Cônsul Geral no Recife quer ampliar o leque de oportunidades no intercâmbio comercial entre as duas partes.

“Esse tipo de comércio é muito bom para os dois lados. Os produtores podem lucrar mais, empregar mais pessoas, isso movimenta a economia e cria mais opções para o consumidor. O consulado já vem atuando há muitos anos, estamos dando continuidade”, defende Reiter.

O assunto foi tratado ontem em reunião com o governador Cid Gomes e com empresários locais e americanos que atuam aqui. Também participaram dos encontros o cônsul comercial, Eric Olson, e o cônsul em diplomacia pública, Matt Keener, ambos membros do consulado em Recife. Hoje (12), eles visitam o Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp), onde verão a principal infraestrutura de logística do Estado para o comércio exterior.

Oportunidades

Reiter acredita que o Ceará tem muitas oportunidades de crescer nesse comércio com os Estados Unidos. No ano passado, o fluxo financeiro dessa relação comercial entre Brasil e EUA chegou a US$ 72 bilhões. “Um fluxo muito grande e que tem potencial ainda muito maior. O nosso desafio é ampliar, explorar novas oportunidades”.

O Cônsul Geral destaca que, hoje, os principais produtos cearenses que ganham o mercado americano são a castanha de caju, as frutas frescas, a lagosta e os calçados. “Queremos ampliar essa lista e aumentar as exportações e importações dos produtos que já são vendidos. O Ceará tem espaço, o potencial é enorme. Fortaleza é a quinta maior cidade em habitantes, é um potencial fantástico a explorar”, acredita. (SS)

Turismo é um dos setores potenciais

O turismo é um dos setores de maior potencial que o Nordeste pode investir com foco no mercado americano. A criação de linhas diretas, como a da TAM iniciada em junho passado, ligando Fortaleza a Miami, podem contribuir com esse negócio. E o Cônsul Geral acredita também nos frutos da Copa do Mundo, com a geração da propaganda boca-a-boca dos americanos que vieram a cidades nordestinas para ver os jogos de sua seleção de futebol no Mundial.

Não houve jogos da seleção norte-americana em Fortaleza, mas nas cidades de Recife e Natal. Segundo Reiter, o evento poderá contribuir para a divulgação do Nordeste brasileiro como um todo. “Quando eu morava nos Estados Unidos, nunca vi propaganda para lugares turísticos no Brasil. Agora tem mais informações, com certeza, para os americanos”, conta.

Disputa

Todavia, pondera, para ganhar este mercado, o Nordeste entrará numa disputa acirrada. “O mercado dos Estados Unidos tem muitas opções para fazer turismo de lazer. Ele pode ir à Europa, ao Caribe, ao Havaí, ao México… Então, o Brasil tem que se salientar desse grupo. Com certeza, existe potencial aqui em Fortaleza e em outras cidades do Nordeste. É meio desconhecido entre os americanos, mas tem muito pra oferecer a ele”.

Richard Reiter é diplomata de carreira do Departamento de Estado dos Estados Unidos e já serviu em Recife entre os anos de 1993 e 1995, passando posteriormente ao Canadá, Croácia, na Missão norte-americana da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) na Bélgica, dias vezes no Afeganistão, em Portugal e no Departamento de Estado dos EUA, na capital do país, Washington.

DIÁRIO DO NORDESTE

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