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Banda Conspiração Apocalipse lança ‘A Face da Besta’ em todas as plataformas de streaming

ENTRETENIMENTO

A banda cajazeirense Conspiração Apocalipse, criada em 1989, lançou o seu mais novo trabalho. O disco “As Faces da Besta” traz 14 canções da rockband capitaneada pelo incansável Gilberto Álvares.

Atualmente, a banda é composta por: Gilberto Álvares (guitarra e vocal), Éder Freire (vocal e backing vocal), Naldinho Braga (bateria), Thyago Davidson (bateria) e Pedro Braga (guitarra).

O trabalho tem incentivo cultural do Fundo Municipal de Cultura de Cajazeiras (Fuminc) e está disponível no Spotify, Deezer, Youtube e demais plataformas de streaming.

O falecido professor Paccelli Gurgel assim registrou os primórdios da banda no seu blog:

“Foi em 1989. No ar, os últimos fôlegos do que foi um período de extrema inquietude no panorama pop-rock nacional. A década de 80 nos deu Barão Vermelho, Capital Inicial, Ira, e Titãs, só pra falar de alguns. Tudo bem. Nada comparável à década de 70. Seria impossível igualar aquele caldeirão sonoro. Numa parada onde se encontram Novos Baianos, Casa das Máquinas e Tutti Frutti é sacanagem pensar em concorrência. Mas o fato é que, do seu modo, os caras de 80 chegaram e deram seu recado. E berraram tão alto que seu grito ecoou nos tímpanos de uma garotada enfiada neste Alto Sertão Paraibano. Não era bem uma banda. Parecia mais um bando desordenado de fãs desesperados para repetir a dose proposta por seus ídolos, mas sem sair de casa. O negócio era fazer barulho. E valia tudo. A regra era se virar com o que se tinha à mão. Violão era “fichinha”. Se achava em qualquer esquina. Então alguém apareceu com um teclado. O resto ia de regional mesmo: chocalhos, ganzás e tambores. Mas o melhor mesmo é dar nome aos bois. Vamos a eles: Elinaldo “Naldinho” Braga, Gilberto Álvares, Junior Terra, Elizomar Filho, Ítalo, Jonhson e Eugênio “Batera” Nóbrega.

Era um inferno. O Zeppellin era cultuado ao lado de Raul. Os Beatles mereciam uma vela todos os dias. Os Rolling Stones ainda eram “satisfaction” na época. Tudo na base do “pega o que fizer zuada e bate”.

Mas banda que é banda tem de ter um nome. E alguém saiu com “Páginas Amarelas”. Levando em consideração o número de componentes, o nome era mais que apropriado: dava pra fazer uma lista telefônica. E como Páginas Amarelas os meninos participaram do seu primeiro festival da canção defendendo a primeira do que seria uma longa e profícua série de composições de Gilberto Álvares. Aqui, o orgulho de compor e apresentar um trabalho próprio começa a atentar o grupo. Os covers se tornam mais escassos. E aí a tragédia. Alguém chega esbaforido com a notícia: leu em algum lugar algo sobre uma banda de nome “Páginas Amarelas”. Todo mundo amarelou… Ora, nossa “Páginas Amarelas” não podia ser. Nessa época o grupo era conhecido apenas a nível de quarteirão e muito mais pelo barulho que fazia nos ensaios. O fato é que já existia uma banda de nome Páginas Amarelas no cenário nacional. Crise. Parte dos componentes se propõe iniciar um retiro eterno no Tibet… A outra parte, mais radical, propõe um suicídio coletivo de protesto… Ainda bem que era só frescurinha cênica. De estalo veio a solução para o problema: nada de viagens alucinantes ou de harakiris desesperados. Era mais fácil, barato e menos doloroso mudar o nome da banda. A turma do harakiri sugere “Plasma”. Eis o novo nome do “bicho”.

A formação é quase a mesma do Páginas Amarelas. Falando em formação, se você chegou até aqui e pretende continuar a ler é bom se munir de papel e lápis pra poder acompanhar as formações da banda. É um entra e sai danado o que leva a se pensar que quase toda a população da cidade passou por aqui um dia… O que é muito bom, diga-se de passagem.

Formação do Plasma: Eugênio “Batera” Nóbrega, Gilberto Álvares, Elizomar Filho, Elinaldo “Naldinho” Braga, Kleber e Rocha “Rochedo”. Posteriormente sai Elizomar Filho e Kleber. Entra o Kiko.

Por essa época a coisa se sofisticava. Já se sabia, por exemplo, que contrabaixo tinha quatro cordas e que uma guitarra não era um violão com anorexia ligado a uma tomada. É por estes tempos que o desenho básico da banda começa a se definir. Naldinho larga o ganzá (para o mais profundo desespero de um ardoroso público) e assume o contrabaixo que, antes, ficava com o Gilberto. O Gilberto, por seu tempo, corre pra guitarra encetando um intenso “affaire”que perdura até hoje.

Por volta de 1992 entra em cena a “caveira”. A banda assume sua simbologia (o crânio estilizado) e o novo nome: Apocalipse. É a fase clássica. A formação é: Gilberto Álvares (guitarra), Elinaldo “Naldinho” Braga (contrabaixo), Fabiano (bateria), Yonnas (guitarra), Rocha “Rochedo” (voz).

Com este perfil a banda participa de diversos festivais, rodando a Paraíba e circunvizinhanças em shows impagáveis por suas “presepadas”. Se tivéssemos espaço pra contar tudo… É uma fase extremamente criativa. Todo o repertório é próprio. Os covers são definitivamente banidos. Somente quando em vez a banda fazia a caridade de tocar algo de fora.

Esta fase ainda assiste a rápida passagem de Humberto Júnior e Faísca pela banda. E para não faltar à regra de extrema circulação de nomes (as mudanças dos vocalistas do Black Sabbath não chegam nem perto), cai fora o Yonnas e o Rocha “Rochedo”. O Apocalipse torna-se um “power trio”. Guitarra, baixo e bateria. Pela ordem: Gilberto, Naldinho e Fabiano. E é com essa formação que se grava, em 2003, o primeiro CD. “A Trágica Lógica do Absurdo“ tem um sentido histórico. A despeito da existência de títulos bem mais recentes no repertório, a banda opta por registrar a fase inicial e grava antigas composições, atualizando algumas letras. O estilo é mantido: heavy metal tradicional. Foi assim desde a adoção do nome Apocalipse. E por falar em nome, no momento de registrar o Cd veio a outra bomba : Já existia uma banda (ou melhor, duas) com o nome Apocalipse. Exige-se mudança, diz a lei. Tudo bem. Os meninos metem um “Conspiração” antes do “Apocalipse’ só por “agá”… Fica “Conspiração Apocalipse”… Oficialmente, pois os fãs (e creia-me, irreverência a parte, são numerosos) não abrem mão do velho e doce Apocalipse… sozinho… sem nada antes ou depois…

O fato é que logo após a gravação do Cd, a banda mais uma nova formação. (affff…) Com a saída de Fabiano, assume a bateria Diego “Faísca” Júnior. Não confundir com o Faísca anterior. Esse é outro. É que nestes sertões de Meu Deus temos um estoque ilimitado de “Faíscas”. No mesmo momento chega ao grupo Paccelli Gurgel (guitarra). Das antigas, permanece Gilberto e Naldinho. Esta formação marca uma nova fase tímbrica e de estilo da banda. Ao hard rock tradicional, marcado pela predominância das distorções a partir dos overdrives, soma-se uma sonoridade mais universal, tendendo ao progressivo e a world music. Por fim, o Faisca deixa a banda no Carnaval de 2005. A banda permanece sem baterista até 2007 quando o João Neto é convidado. Estudando o repertório no momento, o João ainda não debutou no Apocal. Hibernando, a banda especula sobre novos rumos. Novas viagens se definem… Mas conspira-se ainda no melhor estilo apocalíptico: adrenalina e rock’n’roll continuam a ser a tônica, para alegria e êxtase dos inquietos e inconformados… Longa Vida ao Apocalipse!”

Gilberto Alvares nasceu no sítio Alegre, município de Umari-CE, em 8 de outubro de 1958. Parido no mais brabo da caatinga tinha tudo pra dependurar um zabumba no pescoço e sair a correr mundo, saltimbanco folclórico, a debulhar xotes e côcos. Optou por somar a aridez dos tabuleiros sertanejos a agressividade da guitarra hard. É o band leader, responsável pela maioria das composições do repertório. Atualmente se diz eclético em relação ao mundo o que inclui, claro, a música. Parte do tempo dedica ao universo esotérico que esmiúça em busca dos segredos da Existência sendo membro ativo da Ordem Rosa Cruz, Ordem Martinista e Loja Maçônica Grande Oriente do Brasil. É artista plástico e desenhista técnico de onde tira a grana para comprar as cordas da guitarra, a birita e se sobrar, pagar o aluguel. Detesta convenções e, com maior intensidade, os “posers” da vida. Sua experiência em festivais de música é extremamente vasta. Vencedor em diversos certames, tem suas músicas na ponta da língua do seu público que oscila dentro da faixa etária de 6 meses aos 60 anos. Toca gaita de boca, teclado, violão e cavaquinho. No palco, na maior parte do tempo, brande uma Guitarra Giannini Trilogy (dos velhos e bons tempos) com ponte floyd rose e captadores Hambuker. Seu set de efeitos é todo análogico, marca Oliver, contendo 8 pedais (phaser, flanger, delay, chorus, superoverdrive, heavy metal, compressor e equalizador). O superoverdrive e o heavymetal compõem a estação central do set. O heavy a cada dia que passa fica mais escanteado. Ele diz que não tem mais idade pra “certas zuadas”…

Naldinho Braga, baixista e membro fundador da banda junto à Gilberto Álvares. Começou tocando ganzá até que assumiu o contrabaixo já que, segundo ele, as semelhanças entre os dois instrumentos são evidentes. Nascido em Cajazeiras – PB, em 10 de setembro de 1963, Naldinho é professor universitário (Universidade Federal de Campina Grande – Centro de Formação de Professores/Cajazeiras). Sua formação se concentra na área de Língua Inglesa. Participa ainda de outras bandas, onde explora sonoridades mais regionais no melhor estilo raiz, sem se desvincular de outras tendências musicais (Grupo Tocaia). É coordenador do Núcleo de Cultura – NEC, instituição ligada à UFCG com relevantes serviços prestados no campo do resgate da cultura e valores populares nordestinos. Participou ainda do Grupo Terra de Teatro um dos mais atuantes no universo da arte cênica paraibana. Compõe ainda a banda de apoio ao CUCA – Coral Universitário de Cajazeiras. Suas influências musicais vão desde Pink Floyd a Jackson do Pandeiro. Utiliza um contrabaixo Ibanez com captação ativa acoplado a um equalizador Oliver (ele nunca decora a referência) que vive desligado. É que Naldinho morre de preguiça de configurá-lo…

Por REDAÇÃO

SUGESTÃO DE PAUTA: coisasdecajazeiras.pb@gmail.com - (83) 98822-0095

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