Atlético de Cajazeiras é citado em esquema de corrupção no futebol da PB


Um esquema poderoso e que envolvia muito dinheiro. De um lado, dirigentes; do outro, justamente aquele que deveria primar pela imparcialidade: o árbitro de futebol. A reportagem deste domingo do Fantástico, da Rede Globo, mostrou como funciona o esquema de corrupção e manipulação de resultados no futebol paraibano.

A reportagem teve acesso aos documentos e às escutas telefônicas. Foram mais de 100 mil conversas de 115 telefones monitorados pela Polícia Civil e pelo Ministério Público da Paraíba. A reportagem apresenta alguns jogos onde houve uma forte interferência nos bastidores. De acordo com as investigações, o Botafogo-PB foi o maior beneficiado – ou, pelo menos, aquele que mais agiu para tirar proveito.

Atlético – O esquema, ainda de acordo com as investigações, funcionava há pelo menos três anos. Mas nem sempre dava certo, como aconteceu na partida entre Atlético de Cajazeiras e Sousa, também no dia 18 de fevereiro. Novamente era o Botafogo-PB o interessado no resultado, dessa vez, na vitória do time da casa – pelo mesmo motivo, uma vez que o Sousa também brigava com Nacional e Botafogo-PB pela classificação.

Breno fala pelo telefone com José Renato Soares:

– Quem tem que ganhar é o Atlético. Aqui tem uma premiação de tanto para você. É assim que tem que fazer – disse Breno, supostamente orientando o então presidente da Comissão de Arbitragem no que teria que dizer para o juiz do jogo.

O dirigente do Botafogo segue o diálogo:

– O cara vai apitar o jogo para fazer o time da casa ganhar. Quer mais moleza do que isso?

Só que o Sousa venceu. E, ironicamente, com um gol nos acréscimos. Em nova conversa gravada com Breno Morais, o então presidente da Comissão de Arbitragem tentou se explicar e criticou a conduta do árbitro Antonio Umbelino, que “permitiu” o gol no final do jogo.

– Quarenta e cinco e o cabra dá cinco minutos? E o cara faz um gol com 49… É complicado – disse José Renato Soares.

Breno concorda e ainda ironiza:

– É falta de cuidado. Falta de gostar de receber alguma coisa, né?

José Renato emenda:

– Não tem zelo pelo negócio.

Jogadores não tinham conhecimento do esquema – São 85 pessoas investigadas pela polícia e pelo Ministério Público. Dirigentes, ex-dirigentes e árbitros. Mas, até aqui, nada indica que os jogadores tinham conhecimento de todo esse esquema. Um dos delegados à frente do caso, Lucas Sá confirma isso.

– Até agora nenhum jogador demonstrou ter o conhecimento dessa manipulação de resultados ou que possa também ter atuado no sentido de favorecer ou mudar a sua postura em campo.

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