Aquece, Nenem!


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Na segunda metade dos anos 70, em Cajazeiras, nós jogávamos bastante futebol de salão. Na AABB, no Colégio Estadual, no Tiro de Guerra, no Cajazeiras Tênis Clube, no Colégio Diocesano, no Colégio Nossa Senhora de Lourdes. E sem contar que o futebol de campo também tinha muita atividade.

Aliás, havia o amigo Tenente, que foi nosso vizinho na Rua Sousa Assis, na subida que chega na porta do Tênis Clube. Era um jogador esforçado e voluntarioso. A nossa brincadeira era dizer que “Tenente jogava muito!” Ora, era o dia todo! Às 5:00 h, no treino do Caranguejo de Zé de Sousa; às 9:00 h, treino do Duque de Caxias, ambos no Estádio Higino Pires; às 15:00 h, treino do SAAD, na AABB, e às 19:00 tinha pelada na quadra do Tiro de Guerra! Jogava muito ou não, o nosso amigo Tenente?

Eram comuns as peladas de futebol de salão, com times bem formados e de muita competitividade. Às vezes, até surgiam confusões. Era jogo duro!

Certa vez, participamos de uma competição na quadra do Colégio Diocesano, naquela parte externa, no pé da escadaria de acesso ao colégio.

Formamos um time com vários membros da noss’A União (Dirceu, Bosquin, Laci, Erivan do Índio, João Robson, Betin de Ioiô, Carlos Doido etc.). Seria uma pelada ‘organizada’, com padrão, juiz e tudo.

No caminho para o Colégio Diocesano, encontramos o meu primo gaiato, Diener de Juarez dos Correios. Quando nos viu, ele viu, também, a oportunidade para uma das suas incontáveis gaiatices. E já foi dizendo que ia conosco ao Colégio Diocesano. E mais: seria o técnico do nosso time.

A gente gostava das presepadas de Diener e já confirmamos que ele seria o nosso técnico.

E foi (ou, pelo menos, fez de conta…). Ficou ao lado da quadra dando gritos e fazendo ‘munganga’..

No correr dos jogos, eis que Nenen, irmão de Maciel dos Correios e da atriz Marcélia Cartaxo (e moradores da Rua Higino Rolim), se juntara ao grupo e diz que quer jogar também. Só que Nenen não tinha muita habilidade no futebol e Nêgo Diener viu aí um motivo para gozação. E foi o que fez!

A partir do momento que Nenen pediu para jogar, Diener se animou mais ainda com a função de técnico. Ele, então, olhava pra Nenen e dizia: “- Vai aquecendo, aí, Nenen. Tu vai entrar no jogo, já, já”.

Nenen já se levantava e começava o aquecimento, na esperança de participar da competição. Logo depois, Diener dizia: “- Agora, não, Nenen. Senta”.

Nenen sentava contrariado. Daqui pá’pouco, Diener voltava a dizer: “- Aquece, Nenen”. E Nenen dava pulo de todo tamanho no interminável aquecimento. E Diener: “- Senta, Nenen”.

Já sabem o que aconteceu, né?

Nesse “aquece, Nenen”, “senta, Nenen”, só sei que todos percebemos a gaiatice de Diener e Nenen pegou um ar danado! “- Num sento mais não nesse carái, nêgo fí de rapariga. Vá curtir com a cara de sua mãe, seu fresco!”

E tudo terminou em confusão. Nenen pegou uma pedra e saiu correndo atrás de Diener.

Naquele tempo, algumas insatisfações eram resolvidas assim: na pedrada, com direito a carreira atrás do oponente…!

POR DIRCEU GALVÃO, DO BLOG SETE CANDEEIROS

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