Quando do seu regresso a Cajazeiras, já sacerdote, Sobrinho sofre o que se poderia considerar uma de suas desventuras. Homenageado pela firma Galdino Pires, que repassava à Diocese, mensalmente, os custos de sua manutenção em Roma, estranhou nunca lhe haver sido passada essa informação.

Ele sabia, isso sim, que tais despesas eram custeadas pelo seu amigo, o tal bispo alemão. Mas, de qualquer forma, passou a acreditar que, certamente, a “verba” que lhe teria sido destinada por Severino Cordeiro teria tomado outro destino: a manutenção de novos seminaristas no Seminário Diocesano Nossa Senhora da Assunção. Esse “descompasso” informativo, ocorrido nos seus primeiros tempos de sacerdote, ficou marcado no âmago de sua mente.

Demonstrando a vocação para se tornar um simples “pároco de aldeia”, cuja missão o havia cativado através de leituras sobre essa forma de apostolado, deu conhecimento de suas pretensões à autoridade diocesana que, então, o designou pároco substituto da Paróquia de Uiraúna, onde auxiliaria o conhecido Monsenhor Anacleto. Ali permaneceu por pouco tempo.

Em seguida, passou seis meses em Pombal, trabalhando com o Padre Gualberto, inclusive no Colégio Diocesano, uma vez que para lecionar também não lhe faltavam vocação e competência. Passou pouco tempo ali, pois, com o desdobramento da Paróquia de Conceição, foi nomeado primeiro vigário da recém-criada Paróquia de Ibiara que, até aquele momento, era assistida por um outro cajazeirense, o seu primo sacerdote, José de Sousa Neto. Para não se desvincular de sua missão de educador, ali fundou o Ginásio Padre Manuel Otaviano. Foram três anos de trabalho duro, lutando contra o status quo de um lugarejo interiorano…

Mas essa era a sua vocação: “pároco de aldeia”. Essa vocação o fez ali permanecer por sofridos três anos. O que mais lhe faltava era com quem conversar, com quem se “abrir” sobre os seus mais íntimos problemas. Dedicou-se a servir à comunidade tanto nos seus anseios religiosos como nos educacionais.

Na busca de alguém com que pudesse dialogar sobre os seus propósitos, foi ficando, foi educando, até que lhe vieram amizades mais sérias. De repente, sentiu-se atraído por uma das paroquianas que, entendendo a sua solidão, investiu em cultivar um amor platônico.

Inseguro quanto ao seu próprio destino, recorreu a Dom Zacarias, que o intimou a voltar a Cajazeiras com a finalidade de criar e organizar a FAFIC – Faculdade de Filosofia de Cajazeiras – órgão a ser instituído pela Diocese. Dada a sua experiência, bem como aos seus títulos acadêmicos, adquiridos no Colégio Pio Brasileiro, em Roma, era a pessoa indicada para a missão. Mas, declinou do convite, prontificando-se a auxiliar, no que fosse possível, o Cônego Gualberto, o que realmente o fez: buscou, na Capital, os contatos iniciais com o Reitor Guilhardo Martins, para cuja missão contou com a decisiva participação do seu Chefe de Gabinete, Prof. Tarcísio Burity, seu antigo colega de Seminário e futuro Governador do Estado. Criada e instalada a FAFIC, e não aceitando o cargo de Diretor, Sobrinho foi, então, nomeado vigário de São José de Piranhas.

Vida nova! Novos desafios! Como, há mais de um ano, a Paróquia não dispunha de um vigário residente, os problemas iniciais foram imensuráveis. Somente sua obstinação fez com que novos desafios fossem, paulatinamente, sendo vencidos. A reorganização da Paróquia foi fazendo Sobrinho tornar-se mais próximo da comunidade. Ali teve uma vida participativa, estimulando, por exemplo, junto à juventude citadina, a prática de vários esportes, chegando, inclusive, a fazer parte da seleção de futebol local, da qual se tornou o técnico e o seu maior craque, conforme testemunhos da época.

Fala-se, a “boca miúda” que, por essa época, ele chegou a compor algumas listas cujo final lhes contarei na próxima semana.

 

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