Ainda somos uma sociedade machista

A COLUNA DE RUI CÉSAR VASCONCELOS LEITÃO

A violência à mulher é, sem qualquer dúvida, consequência do machismo que ainda perdura na nossa sociedade. Continua na cabeça de muitos homens a ideia de que a mulher é sexo frágil e que podem fazer dela sua propriedade. Consideram-se em nível de superioridade e não aceitam facilmente a independência que elas vêm conquistando ao longo do tempo. As marcas do ciúme e do preconceito são promotoras dos atos de violência, sejam verbais, ou físicas, praticados contra elas.

A Lei Maria da Penha, promulgada em 2006, procurou estabelecer um freio à violência doméstica. Em 2015 o Código Penal em seu artigo 121, definiu o crime de feminicídio. Foram avanços importantes na tentativa de acabar com a cultura por muito tempo aceita, da submissão da mulher ao homem, fundamentada no patriarcalismo. E assim combater a prática da violência contra a mulher.

As relações de gênero em nosso país continuam sendo muito desiguais. Há, com certa persistência, uma associação da masculinidade à tirania. Tenta-se a todo custo manter uma relação de domínio do homem sobre a mulher. O fato é que as mulheres continuam desprotegidas no Brasil.

É preciso que se promova uma mudança social e cultural voltada para o respeito à igualdade de gênero. Esse conceito de supervalorização do sexo masculino, em detrimento do sexo feminino, precisa acabar de uma vez por todas. A misoginia, a hipermasculinidade e o chauvinismo, não podem mais ser admitidos como manifestações normais numa sociedade que necessita ser igualitária e justa.

Lamentavelmente o machismo ainda se faz presente na sociedade contemporânea. Por mais que muita gente insista em não concordar com essa verdade, o fato é que está enraizado na nossa cultura. Estilos de comportamento aprendidos durante a vida fazem com que muitos homens adotem atitudes machistas inconscientemente. O machismo deverá ser enfrentado no nosso dia a dia. Essa é uma luta para ser defendida por todos, incluindo também as mulheres. A reação tem que ser dos dois gêneros. A propósito, é bem interessante o que diz a escritora austríaca Germaine Greer : “Não podemos sobreviver no meio ambiente de sadismo masculino e masoquismo feminino, um universo de agressores e vítimas”.

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