A todos os diocesanos, por ocasião do dia 7 de setembro

COLUNA DE DOM FRANCISCO DE SALES ALENCAR BATISTA

DOM FRANCISCO DE SALES ALENCAR BATISTA

Estamos para celebrar mais um “Dia da Pátria”, festa na qual recordamos os eventos que nos constituíram como Nação, com a sua singularidade entre todos os povos. Como cristãos, somos convidados a olhar para o passado com sentimento de gratidão pelas pessoas que construíram a nossa história, não obstante os percalços que vivemos. A ocorrência também nos impele a olhar com lucidez para a realidade presente na qual ainda vemos inconclusos ou ignorados aqueles sentimentos de liberdade, de justiça, de cidadania e de dignidade, constitutivos da independência que todos desejamos.

Por isso, neste momento no qual o nosso país é sacudido por uma profunda crise ética e moral que tem suas consequências diretas no plano político, econômico-financeiro e social, não podemos simplesmente fazer festa, ignorando as faces das escravidões que nos oprimem e que têm sua raiz no egoísmo e no pecado que corrompe, que macula nossas relações com os semelhantes e com Deus, que desfigura o sentido da responsabilidade pela construção e promoção do bem comum, gerando graves consequências para o presente e para o futuro das pessoas, das famílias, das instituições e de todo o tecido social.

Diante desta realidade, assinalada por pecados pessoais, sociais e estruturais, sem pretender fazer uma reflexão exaustiva de nossas responsabilidades como cristãos católicos, sentimo-nos no dever de conclamar toda nossa Diocese para dedicarmos um dia de oração pelo nosso país, para fazer ecoar diante do Senhor o nosso grito confiante e cheio de esperança.

Somente reconhecendo diante do Altíssimo a nossa miséria e implorando sua misericórdia sobre nós e sobre nossa nação, podemos experimentar a graça de uma autêntica conversão e elevar nossa voz contra toda injustiça que fere a dignidade humana e a construção do bem comum.

Por isso, motivamos todas as paróquias e comunidades, neste dia 07 de setembro, a organizarem um momento de reflexão sobre a situação atual de nosso país e a celebrarem uma Hora Santa Eucarística na intenção do Brasil (conforme formulário preparado pela comissão de Liturgia) e a Santa Missa segundo o formulário próprio – Pela Pátria ou pela cidade (Missal Romano, pág. 907) ou Pela Conservação da Paz e da Justiça (Missal Romano, pág. 907) e que sejam inseridas na Oração dos Fiéis preces e súplicas pelo Brasil.

Não podemos deixar de fora de nossas intenções o momento político no qual estamos vivendo, tendo em vista o próximo pleito eleitoral. Estimulamos todos os fiéis a vencerem o espírito de fechamento e de sectarismo, de superficialidade e de indiferença e assumirem seu protagonismo e participação na vida pública, especialmente na escolha responsável e consciente dos gestores e legisladores, valorizando aqueles que, chamados à responsabilidade política, não se deixam contaminar pelas seduções da corrupção e não cedem à tentação de utilizar-se de sua posição para interesses próprios ou para alimentar sua sede de poder.

Cremos na força transformadora da oração que, em primeiro lugar, deve mudar a pátria do nosso coração, tornando-nos capazes de escolhas e atitudes que favoreçam a justiça e a promoção da dignidade de nossos semelhantes. As faces diversas da corrupção que corrói, como chaga fétida a nossa sociedade, não poupam as células que a compõe, tornando-as enfermas e povoando-as de injustiça, pecado e indiferença. O nosso clamor que se faz oração, é expressão do nosso compromisso com a verdade que liberta e com a promoção da justiça, único antídoto que podemos oferecer como caminho de redenção para nossa sociedade e força para a construção de uma cultura de paz integral.

Sob a proteção da Virgem Maria, Mãe da Piedade, nossa Padroeira, colocamos nosso País e o seu povo, suplicando ao Senhor que nos conceda os dons da paz, da justiça e da fraternidade, em vista de um desenvolvimento solidário. Que sua presença materna nos encoraje a abrir caminhos para a construção de uma sociedade mais justa, madura e responsável, capaz de acolher e promover a dignidade e a vida para todos.

DOM FRANCISCO DE SALES ALENCAR BATISTA, O. CARM. É BISPO DA DIOCESE DE CAJAZEIRAS (PB)

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