A terra dos imitadores sem criatividade


Bem conhecemos nossa cidade, e quem mais a conhece são as pessoas que moram ou moraram aqui. Essas sabem muito bem nossas potencialidades e nossos pontos fracos. Já escrevi uma crônica comparando o desenvolvimento daqui (a terra do padre Rolim) e o Juazeiro do Norte (a terra do Padre Cícero). A forma de agir e de empreender daqui para lá é completamente diferente.

As pessoas que vivem ou viveram por aqui, tem a noção exata de como agimos como sociedade, vamos ao que, eu penso de como é: ninguém tem ideias novas, quando alguém a tem, é sistematicamente hostilizado e ridicularizado. Isso há muitíssimo tempo, no interessante livro Homens e Bichos, de Otacílo Cartaxo, tem uma parte, do conto inicial que descrevia a primeira chuva de 1924, em que aludia aos comentários do povo daqui, sobre meu avô matemo, Dr. Brocos, que estava a jogar fora o dinheiro do Cel. Matos, para fazer uma geringonça inviável, estava trocando o dinheiro do Coronel “por ferro velho”, o que em poucos anos seria a primeira usina de descaroçamento de algodão e extração de óleo vegetal, pois o caroço de algodão era usado para tapar buracos nas estradas, e com o funcionamento da Usina Santa Cecília, virou óleo de algodão, e depois sabão, e torta de caroço de algodão, o que tornou os dois, especialmente o Cel. Matos, o cidadão mais opulento de nossa história, exportava a torta para a Alemanha; então, frente ao sucesso do empreendimento, todo mundo resolveu entrar no ramo, até multinacionais se instalaram na cidade, não posso afirmar com certeza, mas se esses pioneiros não tivessem essa iniciativa, que era ridicularizada “pelos compadres” a acreditar na pena de Otacílio Cartaxo. Alguns inclusive meu avô paterno Major Galdino Pires, também tratou de transformar seu locomóvel para também produzir, ao lado do algodão, torta e óleo, o que funcionou muito bem até que com o surgimento da prega do Bicudo e com a concorrência da agricultura
mecanizada, ficou antieconômica a cotonicultura no Nordeste.

Já escrevi sobre isso, quando eu cheguei aqui, era uma febre da Boutique ali no centro da cidade, que era uma vizinha a outra, depois, veio uma crise dessas que a maior parte fechou as portas, depois vieram ondas sucessivas de novos ramos, móveis, pneus, e auras ondas do momento. Quando fizemos a Catex, no começo era um sonho de eu e Hélio Pires, depois quando dos primeiros anos, tendo em vista que se vendia tudo que se produzia, vieram pelo menos uns cinco “empresários” querendo fazer o mesmo, (alguns inclusive fizeram e foram bem sucedidos), todos queriam “acompanhar a onda” da fiação. É o seguinte: ninguém pensa nada, mas se alguém pensar e der certo, todos imitam.

Bem, voltando ao assunto central dessas mal traçadas. Um grupo de empresários, entre eles o mais conceituado grupo daqui, resolveu abrir um mega Shopping Center, e onde escolheram a cidade para se situar esse empreendimento? Cajazeiras? Não, Patos!!!

Há muito tempo, eu dentro de um ônibus, perguntei a um patoense o motivo de Patos crescer mais do que Cajazeiras e Sousa, e ele me respondeu: “É porque aqui o pessoal trabalha no sentido de deixar a política e os políticos de fora, não vive de chapéu na mão a esperar pelos políticos”. Decerto, por exemplo o Xamegão, totalmente iniciado pelas mãos de um político, e seus sucessores foi sendo deixado de lado, enquanto o São João de Patos é um sucesso, absoluto em comparação com nossa festa atual.

Em alguns segmentos, a educação por exemplo, somos bem sucedidos, mas seria a exceção que confirma a regra.

Nunca descobrimos o túmulo de Padre Rolim, talvez seja porque o nosso Santo de Casa não queira ser descoberto, para “conviver em seus restos mortais, com essa
gente ingrata de sua terra”, em que naturalmente me incluo, em vida por esses motivos, o Padre Mestre entregou suas duas comendas dadas pelo Imperador ao Desembargador Boto, que era juiz de nossa Comarca, para que seus parentes não dessem fim a esses objetos preciosos.

Infelizmente a história se repete.

P.S. – Dedico essa crônica ao grande cajazeirado que nos deixou muito recentemente: Luiz Xavier, conhecido como Sei Luiz Guarda, que foi primeiro chefe do trânsito de nossa cidade. Natural do Brejo Paraibano, que segundo sua filha Angélica me disse, veio para cá a convite de meu tio afim, Dr. Severino Cordeiro, que entre outras coisas boas, deixou uma família que todos nós conhecemos e admiramos. Pessoa da mais alta qualidade em todos os pontos de vista, e fará muita falta, mas fica a família que eu pessoalmente conheci desde menino, um de meus (maus) mentores foi Marcelo Xavier, que de jogar pião a tomar cachaça fui seu aluno, além doa demais filhos que deixo de citar.

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