Quase nunca a gente associa o ato de renúncia ao da escolha. Se pararmos para pensar, cada renúncia é resultante de uma escolha, ou cada escolha implica numa renúncia. Quando tomamos uma decisão, estamos dizendo sim a uma alternativa e não a outra. Praticamos a renúncia nesse instante.

Renunciar não é simplesmente abandonar, desistir, como diz o dicionário. Renunciar é, antes de tudo, um ato de bom senso, uma atitude de coragem. O nosso coração muitas vezes fica clamando por um sim, mas a razão manda decidir pelo não. É como se estivéssemos renunciando a nós mesmos. Por isso, se fala tanto que renúncia é sinônimo de dor, sofrimento, decepção. Isso acontece quando não avaliamos se valeu a pena dizer o sim, em lugar do não. O sim da renúncia pode representar o não ao padecimento, a amargura, ao desgosto.

Portanto, renunciar não é escolher pelo não. Tudo é relativo. O não ou o sim, na decisão da renúncia, tem o sentido de desapego. Dizemos sim a um projeto de vida e não aos prazeres, porque entendemos que só assim conseguiremos realizá-lo. Escolhemos o não a um amor que se internalizou em nosso coração, para dar um sim à vida, porquanto na relação afetiva havia desarmonia, desencontros, incompatibilidades. Os pais afirmam um sim quando autorizam os filhos a saírem em busca da realização pessoal, embora o não fique gritando num sentimento de posse que não faz mais sentido. A pessoa responsável diz o não às tentações da vida, ainda que o sim aponte para a possibilidade da concretização dos seus sonhos.

Pensemos nisso. Renunciar é fazer escolhas. É preciso apenas que tenhamos a tranquilidade suficiente para indicarmos o lado para o qual penderemos a balança da renúncia. Quem tem medo de renunciar, não trabalha na construção da vida em busca da felicidade. O ato da renúncia, bem analisado, pode causar dor num primeiro momento, mas com certeza levará à paz interior no futuro.

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