A nova crise e o fundamentalismo de mercado


Estamos numa situação que encontra poucos paralelos na nossa história recente: um governo em que se carece de credibilidade de forma quase total, seus objetivos estão em completo descompasso com o grosso da população, quem tem autoridade (ou seja manda), é o tal do “mercado”, que ninguém conhece sua face, e pior, em obediência total ao “fundamentalismo de mercado”, uma seita religiosa mais sinistra do que o seu congênere islâmico; Em tempo, desde 2001, os jihadistas mataram nos U.S.A., cerca de 94 pessoas, enquanto as armas de fogo já mataram mais 180.000, uma bobagem se comprado aos 60.000 homicídios que assistimos todos os anos.

Mas voltando ao tema inicial: essa estória de correção dos fundamentos de nossa economia, para que “voltemos aos trilhos do crescimento econômico, ao meu humilde parecer se trata de uma balela que se enfia goela abaixo no grosso da população, enquanto os mais ricos, os chamados “rentistas” que são assim citados no livro Ö capital no Século XXI” para denominar os que possuem rendas, propriedades, papéis negociáveis, como os bancos, e outros similares esses vivem literalmente no paraíso; enquanto o país como um todo voltou ao mapa da fome, e toda essa situação como que criou mais de 13 milhões de desempregados. Se diz que se entra recessão quando seu vizinho, amigo etc., perdeu o emprego, e se está em depressão quando você perde o seu. Para muita gente, o Brasil está em depressão, e nada se faz para minorar o quadro.

Agora mesmo, vemos uma paralisação dos caminhoneiros, que estão a protestar contra o fato de a Petrobras estar reajustando quase diariamente o combustível, como se essa fosse uma companhia cuja função seria apenas dar lucro a seus acionistas, e ao par disso se embute uma taxação extraordinária de impostos. Não foi 2013, que se protestava por causas que eram as mais diversas, hoje se protesta pela sobrevivência, a nossa maior empresa desconhece o fato de que esses aumentos vão gerar, como tem gerado, inflação, e um sentimento de pessimismo na população em geral, exceto nos membros do “mercado”.

Vejam bem, quando eu estive nos Estados unidos em 2001, meu primo que morava lá, me dizia, “aqui é engraçado, quanto mais você deve, mais lhe oferecem empréstimos”, era o crescimento da bolha especulativa, que sem o controle do governo estourou em 2008, e sabe porque o mundo não foi junto como em 1929, porque na presidência do “Fed”, o Banco Central americano estava um senhor chamado Bem Bernanke, um dos maiores especialistas no fenômeno chamado de Grande Depressão do mundo (a que começou em 1929, e terminou na Segunda Guerra), que viu que estava no olho do furacão e fez o contrário do que se esperava, estatizou em parte os doze maiores bancos americanos e sobretudo injetou capital para frear a que seria a segunda corrida aos dos correntistas aos bancos para sacar seus ativos, e foi uma injeção p’ra valer, na casa do Trilhão de dólares (caro leitor, estou escrevendo o que li, não faço a mínima ideia de quanto é isso, somente sei que é uma exorbitância de dinheiro), assim, se conteve o que seria a maior crise mundial da história, que continuou sendo a de 1929, se esqueceu o tanto o fundamentalismo quanto a chamada mão mágica da auto-regulamentação do mercado, lá o estado interviu e foi forte; aqui, se fica esperando na base do deixa como está p’rá ver como é que fica, contanto que eu continue me locupletando, até que a situação fique intolerável, mesmo num país com a tolerância máxima do Brasil; na Argentina por menos invadiram a Casa Rosada, e depuseram o presidente “De La Rua”, nossos hermanos não tem a nossa paciência.

Aqui, mais parece a Revolução Francesa, que os nobres daquela época achavam que seus privilégios eram de origem divina e muitos terminaram na guilhotina.

Nem tanto, mas continuar um governo completamente divorciado com os desejos da população, até que venha uma eleição meio fajuta, e se elejam os mesmos de sempre. É o que acho que se está armando.

Mas ‘é um tema muito complexo, e é melhor parar por aqui. Vamos assistir de camarote, ou jogados à arena dos leões a mais essa paralisação. Deus, se é que é brasileiro, tenho muitíssimas dúvidas, nos ajude…

Fico.

P.S. Fiquei muito honrado com o convite para a comemoração do centenário de Dirceu Marques Galvão (Seu Dirceu), Agradeço à família e deixo para que as pessoas que mais o conhecem, como foi o caso de Pereira, um dos seus maiores amigos, e Dirceu Filho, que fez um discurso além de belo, cheio de sentimento, a se manifestarem com mais conhecimento de causa sobre sua vida. Fica o exemplo para todos nós.

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