A liturgia e o poder

A COLUNA DE SAULO PÉRICLES BROCOS PIRES FERREIRA

POR PEPÉ PIRES FERREIRA

TATYANA
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Nos tempos do Império Romano se criou a expressão: “O Poder corrompe, e o poder absoluto corrompe absolutamente”, mas isso nos tempos desse Império, há quase dois mil anos quando os Imperadores tinham o poder de dispor até da vida de seus súditos, sem que fosse cobrado por isso. Bem mais recentemente o então todo poderoso Ministro de Estado norte americano, Henry Kissinger, cunhou outra frase lapidar: ”O afrodisíaco definitivo é o poder”, isso antes do azulzinho ser inventado. Os tempos mudam, mas a magia de exercer o poder, mesmo num lugar distante e secundário como nossa cidade, tem o condão de fazer com que o cidadão que exerça se sinta diferenciado, assim como uma espécie de semideus que pode tudo ou quase tudo, então o ungido como que “relaxa”, e esquece que estar no poder mesmo numa cidade pequena como a nossa, não tem contas a prestar com a sociedade, que o poder seria algo, desculpe o nome feio “autotélico”, palavra que significa o fim em si mesmo.

Seria por essa linha de raciocínio que se tentaria uma explicação das, digamos fotos não autorizadas de nosso mandatário, que seria o mais recente, mas com vários outros exemplos de seus antecessores: o “eu posso que não vai rolar consequências”. E esquecem o que José Sarney chamou de “a liturgia do cargo”.

É uma longa sucessão de eventos dessa natureza; vou começar por minha família, o primeiro prefeito eleito de Cajazeiras, o poderoso tanto em política como em finanças, Cel. Matos: Uma noite, meu tio-avô, Dr. Celso Matos estava a frequentar o salão do antigo cabaré de nossa cidade, que se situava atrás do Cemitério Coração de Maria, mais ou menos onde hoje passa a Av. Carlos Pires de Sá, o gerente o chamou e disse. Doutor, seu pai está mandando o Senhor se retirar do recinto pois ele está acompanhado por outra mulher e não quer que o senhor presencie a sua saída. No que foi prontamente atendido e ele e sua amante de aluguel puderam sair sem maiores consequências, isso na década de 30.

Bem mais recentemente, quando da sucessão de Chico Rolim, quando o candidato das oposições era Raimundo Ferreira, o governador João Agripino pediu aos seus correligionários apara indicar um defeito do opositor, que alguém sugeriu “ele é muito mulherengo”, João Agripino respondeu na bucha: “as qualidades para depois da eleição!!” Naqueles tempos, e ainda não acabou, estar no poder tem uma espécie de significado de que o detentor é o “macho alfa” da comunidade que ele governa. Depois, viemos os comentários de que Dr. Epitácio praticaria “atos de intimidades” no gabinete do Prefeito, isso antes dessas fotos de celular e da internet, que tonou muito mais fácil esses flagrantes serem feitos e divulgados. Depois as manchetes de Chico Rolim sendo “preso??” na Rua da Areia em João Pessoa por não pagar por determinados serviços, e por Aí vai.

Mais adiante eu vou apenas relatar um fato sucedido na reforma da casa da então Primeira Dama, Denise Albuquerque, que ao escolher as flores que iriam adornar o jardim da sua casa, e ao florista que indicava, gardênias, lírios, etc. Quando ele falou de um determinado tipo de flor, ela respondeu, não quero esse tipo de flor no meu jardim. Esse nome dessa rosa específica, seria o nome de uma “rival”.

São muitos os casos dessa natureza, que gastaríamos páginas e páginas para contar apenas alguns; pode ser título de um bom livro: “O poder e as amantes”, que existem em todas as regiões e todos os escalões de nosso pais. Tanto no caso de Carlos Antônio, quanto no caso de José Aldemir, esses dois têm uma coisa em comum: um projeto político que transcende essas “alegadas” infidelidades.

De qualquer maneira, as urnas de 2020 darão a resposta. Temos o caso de Ronaldo Cunha Lima, que mesmo depois de dar dois tiros em Burity, foi consagrado na paraíba com votação recorde.

P.S. Enquanto isso, nos tomam nosso Hospital Universitário. Cadê nossas lideranças? Estão espiando nos buracos das fechaduras dos novos tempos.

P.S. Segunda Parte. Registramos o falecimento de Besouro, o homem que advogado nenhum desmanchava seu serviço pois ele era coveiro, e agora vai ver como era o seu serviço “do lado de dentro”. Fica o registro de quem bebeu muitas e todas com ele. Vá em paz.

ELIANE BANDEIRA

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