A Lava Jato de Curitiba deu um tiro no pé

A COLUNA DE RUI CÉSAR VASCONCELOS LEITÃO

A manhã foi tensa com um misto de profunda indignação. A surpreendente notícia de que a juíza Carolina Lebbos, substituta de Moro, havia decidido transferir o ex-presidente Lula para São Paulo, não considerando os apelos da defesa no sentido de que aguardasse o julgamento da suspeição do ex-juiz que deverá acontecer no STF ainda este mês, causou estupefação. A pergunta que todos faziam era: porque essa decisão tão repentina?

Como se isso não bastasse o juiz das execuções penais de São Paulo, pouco tempo depois já definia que Lula deveria cumprir pena num presídio comum, em cela coletiva, junto com outros apenados. Parecia coisa combinada. Esse juiz também é um dos apadrinhados do ministro da justiça. Será pura coincidência? Difícil acreditar nisso.

A tarde quando liguei a tv no canal que transmite as sessões da Câmara Federal tive a grata surpresa de ver que a quase totalidade dos deputados se manifestava contra a arbitrária decisão da magistrada, independente do partido a que estavam filiados ou a posição ideológica que defendiam. Sentí o alívio da sensação de que nem tudo está perdido. Existe uma maioria que defende o Estado Democrático de Direito, apesar das divergências.

Representantes de doze partidos partiram em direção ao Supremo Tribunal Federal com o objetivo de sustar tamanho abuso judicial. A alta corte compreendeu a gravidade da situação e resolveu realizar uma sessão extraordinária para resolver o problema. Resultado: dez a um em favor da justiça sem partidarismo.

A Lava Jato de Curitiba vivendo dias conturbados, achou por bem jogar alto. Se deu mal. Deixou ainda mais explícita sua intenção persecutória contra Lula. Agora não tem mais como esconder a sanha de perseguição que há anos vem desenvolvendo. Moro e companhia a cada dia frustrando a esperança de milhões de brasileiros que neles depositaram a confiança de que seriam paladinos da moralidade.

Começamos um novo capítulo dessa história. Espero que o ímpeto de exercício da justiça isenta e imparcial que os ministros hoje demonstraram tenha continuidade. Está na hora de dar um basta na postura seletiva e parcial dos que se arvoram praticar justiça na república de Curitiba.

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