Categorias
COLABORADORES

A incapacidade de esconder o que sinto

POR RUI LEITÃO

Não sei fingir. Será que esse é um dos grandes defeitos da minha personalidade? Não consigo disfarçar minhas emoções, nem calar a expressão do que penso e do que sinto. E isso, se por vezes, me proporciona a vivência de instantes de alegria, em outros momentos me causa embaraços e produz insatisfações aos que estão do lado contrário das minhas opiniões e atitudes. Já fui advertido de que esse não é um comportamento adequado ao ambiente social e político em que vivemos na contemporaneidade.

Abraço com firmeza as minhas vontades, ainda que correndo o risco de sofrer decepções e frustrações. Não importa. Não costumo fugir das verdades, mesmo que causem feridas na alma. O importante é perseguir sonhos e acreditar neles. Difícil ficar com manifestações de pensamento engasgadas na garganta. Se não fizer exposição das minhas reflexões, me sentirei um enganador. Escolho ser absolutamente autêntico e verdadeiro, em tudo o que faço.

Me incomoda guardar aparências por conveniência. Tenho enorme dificuldade em ensaiar simpatia quando algo me desagrada à primeira vista. Para mim é um martírio ignorar ofensas recebidas, por uma questão de obediência a normas sociais. O que me inquieta e me exaspera desperta ímpetos de rebeldia e reação. Meu coração sofre quando se vê obrigado a controlar   emoções. O meu olhar é bastante para denunciar sentimentos, sejam eles quais forem. Minha sinceridade chega a ser exagerada. Mais do que deveria ser em algumas oportunidades.

Gosto de ser guiado pela minha própria consciência. Assim, consigo ser fiel comigo mesmo. Embora esse padrão de comportamento exija um preço alto de correspondência no convívio social.  É da minha natureza. Fazer o que? Nada me condiciona a usar máscaras de personalidade. Não tenho receios de mostrar minha face real.

Contudo, procuro respeitar os sentimentos alheios.  Sem qualquer desejo de reformar os outros. Cada um que escute a sua voz interior. Não serei eu que procurará modifica-lo. Da mesma forma que espero ser aceito como sou.  Segundo o filósofo Osho, não devemos nos preocupar com a perfeição, mas com a “totalidade”. Entendo que a totalidade seja a autenticidade, o que nos dá uma dimensão diferente.

Por RUI LEITÃO

Jornalista e membro efetivo fundador da Academia Cajazeirense de Artes e Letras (Acal)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *