Em recente conversa informal, uma das pessoas que mais nossa política, tendo, inclusive a oportunidade de ser prefeito e deputado estadual, perguntado sobre a atual gestão de Cajazeiras, Vituriano de Abreu sentenciou: “nossa gestão não é tocada por um executivo, mas por um parlamentar”.

Para quem sempre teve a volúpia pelo poder, como o próprio e seu sucessor de cargos e ideias – Carlos Antônio, que lá pelo ano 2000, quando de sua primeira eleição, eu dizia que não estaríamos elegendo um Epitácio dinâmico, mas um Vituriano agradável.

A análise de quem sempre viveu nossa política no dia a dia desde que aqui chegou me parece exata: nosso prefeito, deputado de muitos mandatos, parece mais afeito com a cadeira de parlamentar que ocupava do que com a de prefeito que ocupa.

Assim, a prioridade com nossa gestão municipal foi, no começo, eleger sua esposa para a Assembleia Legislativa da Paraíba (ocupar sua vaga) e, depois, se manter na política ocupando espaços e procurando auxiliares que o farão continuar com seu espaço para uma possível continuação como parlamentar ou coisa parecida. Mas fica a gestão perdendo a dinâmica que seria de se esperar de um executivo típico. Fica parecendo, até agora (espero ser contrariado para melhor), que algo seja oferecido para nós cajazeirenses que, realmente, marque a atual gestão como “a obra da administração José Aldemir”.

Vituriano, para o bem e para o mal, nos legou o Xamegão, que, na minha ótica equivocada, mas qualquer pessoa que viveu naquele tempo, foi testemunha dos grandes eventos que eram levados para lá.

Carlos Antônio deixou o Leblon, uma urbanização de certa parte do Açude Grande, que o que deixou a desejar foi que podia ser todo o Açude Grande. Mas está lá e, de qualquer forma, funciona. É a talvez a melhor, quase a única área de lazer que dispomos.

Atualmente, temos a recapeação asfáltica, de qualidade, bem sinalizada. Mas somente foi novidade nos tempos de Chico Rolim. Um dos motivos da derrota de Denise foi justamente não fazer esse recapeamento; isso com verbas de emendas parlamentares, que são o mister de quem foi deputado, inclusive federal, o que hoje nos falta. E que desempenhou suas funções de parlamentar na Câmara Alta com muitos méritos e que somente não foi reeleito, não por seus defeitos, mas por conta de uma circunstância política extremamente desfavorável.

Voltou à esfera estadual e sempre teve sua reeleição garantida, em grande parte por sua atuação política: como já foi deputado federal,  suas qualidades sobravam – como sobram – para se eleger para a nossa Assembleia.

Tancredo Neves dizia que na política existe o momento certo pra tudo, até para trair. E foi o que Zé Aldemir fez: aproveitou seu cargo de parlamentar (a gente diz que ele “corria de graça”) e aproveitou o fato de prefeita Denise não ser (até por conta de sua natureza) carismática como o seu esposo Carlos Antônio. O fato de existir uma Operação Andaime que, de certa forma, deixou deprimidos os funcionários municipais, apesar dos fatos que a motivaram pouco ou em nada chegassem a envolver a gestora – se reportavam muito mais a gestões passadas e até em outras cidades. Mas se criou um fato desagregador.

Então, e com outros detalhes, a oposição conseguiu derrotar a então situação quatro anos antes e cruzou a linha final.

Agora era – como é – administrar essa nossa cidade que, hoje, já é de uma certa complexidade e exige, até por conta da concorrência com outras de porte semelhante como Sousa, ou com mais potencial como Patos, que exige uma administração dinâmica e competente. Eis o ponto em que precisa ser, além de um politico antenado, o que sem dúvida nosso primeiro mandatário o é, um gestor dinâmico, que tenha a capacidade de imprimir sua marca na nossa história, o que, no parco entender desse que esta escreve, ainda não aconteceu.

Existem ilhas de competência na nossa atual gestão – e mais de uma, somente para citar alguém que não sou da intimidade: a Procuradora do Município defende com unhas e dentes a prefeitura dos muitos processos que são movidos contra ela e move os processos que ela deve mover com uma diligência notável.

Agora, em outros casos, a nomeação para tal lugar fica por conta de quantos votos vai render tal nomeação, ou que tipo de suporte essa vai proporcionar, em outros casos, para beneficiar os “amigos de toda hora”. Numa cidade como a nossa é quase impossível não se cair nessa circunstância, até pela sobrevivência.

Mas fazer como um Quirino de Moura, que colocou o que de melhor havia na cidade para dirigir e teve a coragem de dar um salto na mobilidade urbana de nossa cidade, infelizmente nosso atual governo deixa a desejar. Mas ainda tem dois anos nessa administração e, se tiver o cuidado necessário, podem se tornar seis anos.

O tempo dirá…

No Comment

Leave a reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *