A fundação da Academia Cajazeirense de Artes e Letras

A COLUNA DE SAULO PÉRICLES BROCOS PIRES FERREIRA

No dia 17 de janeiro do corrente ano, aconteceu, no Espaço Zé do Norte, a reunião onde se decidiu a fundação da Acal – Academia Cajazeirense de Artes e Letras, uma iniciativa conjunta de Frassales Cartaxo, Ubiratan di Assis e, principalmente, do professor Francelino Soares.

Esta academia teria sido fundada por Edme Tavares na época das comemorações do bicentenário do Padre Mestre, que, sem sua obra, muito certamente não estaríamos reunidos. Neste caso, estávamos reunidos “à sombra da obra do Padre Rolim” e se procedeu a aprovação dos patronos da ACAL, bem como a aclamação de seus membros, sendo um dos menos meritórios o sujeito que escreve essas mal-traçadas, que, por ser filho da mulher mais dinâmica da genealogia de Mãe Aninha (outra patrona da Acal), ou, como minha mãe gostava de dizer “aqui no terreiro de Mâe Aninha”, se confeccionou uma lista de patronos que, realmente entre eles, figuram os maiores vultos de nossa cidade.

Gente que, mesmo esquecida por muitos de nossos concidadãos, em que se pinçando um ou dois nomes, se acha figuras como Dom Moisés Coêlho, nosso primeiro Bispo; Dr. Antônio Joaquim do Couto Cartaxo, nosso primeiro parlamentar constituinte da República Velha; Ivan Bichara Sobreira, grande escritor que assumiu o governo do nosso estado. Noutra área, pinço o Maestro Rivaldo Santana, o maior músico que já viveu na nossa cidade. Todos com méritos indiscutíveis.

Envio, por meio dessas, minhas congratulações aos que compuseram a lista de patronos. Eu mesmo me surpreendi com a qualidade dos vultos que integram a lista. Cajazeiras pode não ter nos dias de hoje, mas teve – e como teve! – nomes que orgulhariam qualquer cidade de nossa região e, por que não dizer, de nosso país. Organizadores, repito, foram extremamente felizes com essa composição.

Graças a esse trabalho memorável, de poucas mãos, entre nós que fomos aclamados os atuais membros da Academia, recai sobre nossos ombros a difícil tarefa de representar condignamente o patrono a que somos como que apadrinhados (eu, pessoalmente, muito mais, pois sou filho biológico da minha patronesse), tenho a difícil tarefa de honrar e enaltecer o seu trabalho.

Agora, para meus parcos leitores, vou exprimir, utilizando a escrita de um dos meus autores favoritos, o grande Umberto Eco, que, escrevendo sobre Tomás de Aquino, afirmou que o dia mais triste de sua existência, quer em vida ou não, não tinha sido o dia em que nosso filósofo cristão morreu, nem quando suas teses foram defenestradas num concílio em Paris quando se considerou sua obra anticristã e herética, mas quando ele foi canonizado com o nome de São Tomás de Aquino e, continua Eco, foi um dia que um grande incendiário é nomeado bombeiro.

Então, trazendo para o meu caso, minha grande facilidade sempre foi tecer críticas; eu sempre fui pedra e nunca tive talento para ser vitrine. Agora, como acadêmico, vou ter o dever de deixar um pouco de lado minhas críticas para tentar, ao menos, produzir um trabalho que possa ser considerado proveniente de um acadêmico.

Ms ainda tem o fato de podermos ser considerados como da nossa Academia Maior, de “imortais”. Às vezes, lá no fundo de minha mente obscura, dá a tentação de subir na torre da Catedral e testar essa tal imortalidade. Mas, peço desculpas a meus pares/leitores por essa brincadeira de mau gosto: quem sempre foi escorpião, mesmo domesticado, sempre sobra um pouco de veneno para destilar.

Ilustres cajazeirenses – especialmente os que estão a fazer parte da Academia que hora se funda – vamos tentar fazer bem feito nosso dever de casa e devolver à nossa terra o título que, na minha opinião, ela pouco está a fazer jus, o de “Terra da Cultura”. Vamos quebrar nossas teclas, acabar nossos pincéis e trabalhar como diligência as nossas potencialidades, cada um no seu capo. Nossa terra bem o merece.

Parabéns a todos e ao trabalho. Há muito a ser feito…

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