A festa de Ivan Bichara

A COLUNA SEMANAL DE FRANCISCO SALES CARTAXO ROLIM

CAVALCANTE JÚNIOR
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Tiveram início, semana passada, em Cajazeiras os eventos comemorativos do centenário de nascimento de Ivan Bichara Sobreira. Missa solene celebrada pelo padre Antônio Luiz do Nascimento, sessão especial conjunta da Assembleia Legislativa da Paraíba e Câmara Municipal de Cajazeiras, exposição fotográfica no casarão da cultura, antiga residência do major Epifânio Sobreira, tio de Ivan. Antes disso, a partir da criação pelo prefeito José Aldemir da comissão encarregada de coordenar as homenagens ao ilustre conterrâneo, deu-se ampla divulgação pela prefeitura e câmara municipal, desses atos nas emissoras de rádio e em redes sociais. Tudo isso para alcançar o objetivo central das comemorações: avivar a lembrança da figura de um filho que muito honra Cajazeiras.

Ivan Bichara não foi um cidadão qualquer.

Ele foi exemplar pai de família. Destacou-se em vários campos de atuação. No jornalismo, no parlamento, à frente do governo da Paraíba, nas letras, como escritor de romances e ensaios literários. Católico praticante, abraçou com decência todas essas atividades, apoiado sempre em princípios éticos, inclusive na política, um campo propício a práticas de malfeitorias. Ontem e hoje. Pode-se fazer restrições ao desempenho de Ivan em algumas daquelas áreas, mas é impossível não lhe creditar pontos favoráveis, capazes de engrandecer sua terra natal. Por tudo isso – e pelo muito que ele fez por Cajazeiras quando governou a Paraíba -, merece elogios a iniciativa da prefeitura em liderar o movimento em homenagem a Ivan Bichara.

Confesso que esperava maior brilhantismo nas festividades, comparecimento mais representativo aos atos programados. Isso me fez ruminar. Havia razões, por exemplo, para a fraca presença de professores e alunos no auditório da FAFIC na noite do dia 25? O homenageado é figura da história paraibana. Morreu há 20 anos e desenvolveu suas atividades como homem público faz mais de 40 anos. Há fortes motivos para adesão. Nunca para rejeição. Talvez tenha ocorrido falha de comunicação.

Teria havido contaminação eleitoreira?

É possível. Cajazeiras adora ter um lado. O lado deles e o nosso. Parece coisa de menino ao riscar o chão e chamar o outro para a briga. Quem vai presidir os trabalhos na FAFIC? Eles. Então, lá, nós não pisaremos os pés… não vamos prestigiar um concorrente. Nem mesmo o prefeito de Cajazeiras, penso, escapou dessa nociva armadilha.

Imagino ainda coisa mais grave.

Ivan Bichara foi governador no tempo da ditadura. Logo, não vale, talvez seja essa a lógica sectária. Tudo que construiu perde valor. Não deve sequer ser estudado. Um sabiá me segredou: alguns militantes políticos deixaram de ir à FAFIC por esse motivo. Uns poucos, que repetem palavras de ordem do tipo Lula livre, torcem o nariz para Ivan Bichara. Assumem-se coerentes. Engano, são hipócritas. Basta um exemplo. Para eleger Paulo Haddad prefeito de São Paulo, em 2012, Lula e Haddad foram abraçar Paulo Maluf, em sua residência! Ora, Maluf foi prefeito e governador nomeado pelo regime militar e, à sombra da ditadura, roubou à vontade! Ah, isso é passado, dirão, mas ausentam-se da festa de Ivan Bichara ter sido nomeado e não eleito pelo voto direto. Coerência? Não, hipocrisia pura.

Conversa, não respeitam a história. Mesmo sendo delegado na Paraíba do regime militar, Ivan Bichara não efetuou uma prisão sequer de trabalhador ou de estudante por motivos políticos. Isso não conta para quem só enxerga os fatos de forma enviesada.

ELIANE BANDEIRA

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