A falta de competitividade e a desindustrialização


Com o fim, pelo menos provisoriamente, da greve dos caminhoneiros, e até a anestesia que pode se aplicar no país pelo advento da Copa do Mundo, Tendo em vista que a crise teima em continuar do mesmo jeito como era antes, em nossa região, o único fator que não está presente em 2018 é a seca que nos assolou por pelo menos seis anos, podemos (posso) pelo menos tentar dar a meus parcos leitores, uma visão global da situação no meu ponto de vista.

A chamada crise teima em ficar, nem a próxima eleição para Presidente e os “Grandes Cargos” a faz arrefecer, o que nos outros anos a gente dava uma “respiradinha”, esperando o sufoco para depois das eleições, a tal da arrumada na casa esse ano, não teve nada de alento, o pior é que tem gente que espera, como alguns amigos já como que profetizaram, um agravamento dessa crise no período pós-eleição. A grande maioria de com quem converso, está desalentada, isso em quase todos os níveis de renda me falam.

Mas como é que caímos nesse poço sem fundo, que não conseguimos sair?

Já falei na minha última crônica que devido ao fundamentalismo de mercado, e pasmem, pode existir pior: Estamos sendo governados por uma galera que somente entende que quem já tem dinheiro, deve ganhar mais, e como dizia o personagem da Praça da Alegria: “O povo é apenas um detalhe”, se impõe a cada cidadão uma carga tributária das maiores do mundo, e em troca, temos um dos piores serviços do mundo, ou seja, o dinheiro arrecadado, o que volta é uma pequena fração para os contribuintes, e se tem uma clara noção de que muita coisa se perde no ralo da corrupção, já que se tem de dois em dois anos se comprar os eleitores, que numa região extremamente fisiológica como a nossa chega a absurdos como o vereador de Cachoeira dos Índios me contou que tem uma eleitora que toma uns medicamentos que ele tem que bancar sempre. A mercantilização do voto em nossa região é extremamente vergonhosa, e às claras, sem a menor sutileza.

Mas não era o tema que eu vou tentar colocar a meus parcos leitores: seriam as consequências dessa carga tributária sobre nossas costas, entre outras coisas, vemos a “desindustrialização de nosso país”, em que não conseguimos competir de igual para igual com outros países, como a China, por exemplo, que tem uma política extremamente agressiva de exportação, enquanto nossas indústrias, uma a uma, vão fechando as portas por causa da falta de competitividade, em função da enorme carga de tributos variadíssimos, que temos de pagar, e já passam dos 50 impostos diferentes. Somente o que não se consegue fazer fora, como pão ou frutas, por exemplo, nós importamos mais barato às vezes do outro lado do mundo, e temos que nos dobrar a qualidade duvidosa desses produtos importados. E aqui o que acontece? Se um dia os chineses, aprenderem a fazer redes boas, (algumas tentadas por eles eram muito ruins), nossas fiações que ainda dão os poucos empregos que existem por aqui, terão que tentar produzir mais barato com essa enorme carga tributária, ou fechar suas portas. A indústria têxtil nos Estados Unidos, a não ser em setores estratégicos, com os uniformes militares, ou de altíssima tecnologia, praticamente fechou, e nós vamos num caminho semelhante.

O problema é que a Direita, como filosofia de estado, tende a cada vez mais concentrar renda, e não distribuí-la, podemos dizer que quem acabou com a Grande depressão americana do Século XX (que começou em 1929), foram os nazistas, que obrigaram os ricos de lá a gastar com armas e soldados, que finalmente colocou a América a pleno emprego. A longo prazo, uma saída à esquerda tem que ser encontrada, e no nosso caso, que perdemos muitas décadas (na década de 70, que iria acreditar na Coréia do Sul), as crises mas eles chegaram com força total. Karl Marx, no seu livro “O Capital”, já falava dessas crises que aconteceriam de tempos em tempos, a até hoje vai. Um livro interessante que eu li há pouco tempo, foi exatamente “O Capital no século XXI” de Thomas Pikett, que alerta para a capacidade de concentração de renda durante os três séculos anteriores, que se prolonga pelo tempo. Aqui, com a concorrência maligna da corrupção, já chegou ao limite do tolerável.

Não sabemos se chegamos às próximas eleições em paz, o Apartheid Social do nosso país, já passou do limite faz tempo.

Fico.

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